A eleição para a Presidência da República será decidida no segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). Com 99,3% das urnas apuradas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) neste domingo, 4 de outubro, Flávio alcançou 47,1% dos votos válidos, ante 45% de Lula. A Justiça Eleitoral contabilizou 4,7% de brancos e nulos e 21% de abstenções. A confirmação matemática do segundo turno foi chancelada pela Justiça Eleitoral às 20:56 horas.
Resultado — 1º turno — Eleições 2026
- Flávio Bolsonaro (PL): 47% dos votos válidos — Vai ao 2º turno
- Lula (PT): 45% dos votos válidos — Vai ao 2º turno
- Escritor Augusto Cury (Avante): 2,9%
- Ronaldo Caiado (PSD): 2,2%
- Renan Santos (Missão): 2,2%
- Romeu Zema (Novo): 0,28%
- Brancos: 1,84%
- Nulos: 2,9%
- Abstenções: 21%
Disputa acirrada refletiu nas pesquisas
As principais pesquisas de intenção de voto divulgadas na reta final do primeiro turno — como os levantamentos do Datafolha, Quaest, AtlasIntel e BTG/Nexus — mostraram um cenário de disputa extremamente acirrada e altamente polarizada entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Enquanto o atual presidente liderava numericamente as intenções de voto no primeiro turno dentro de uma margem estreita, o senador bolsonarista figurava em segundo lugar com reduzida distância, mantendo a corrida em situação de empate técnico ou limite da margem de erro na maioria dos institutos.
O acirramento foi ainda mais acentuado nas simulações de segundo turno, nas quais os dois candidatos apareceram praticamente empatados, refletindo um eleitorado altamente decidido e com baixos índices de volatilidade a poucos dias da votação.
As polêmicas que marcaram o 1º turno
A campanha para as eleições presidenciais de 2026 desenrolou-se em meio a um ambiente de intensa polarização, forte judicialização e embates no campo da desinformação e das novas tecnologias. O pleito foi profundamente marcado pelo impacto do escândalo do Banco Master e de seu ex-controlador, Daniel Vorcaro, cujos desdobramentos atingiram de forma transversal os principais atores políticos do país, incluindo Flávio Bolsonaro, e provocaram uma crise sem precedentes de confiança no Supremo Tribunal Federal, que ocupou o noticiário ao longo de várias semanas, ofuscando os debates sobre as eleições de 2026.
A dinâmica começou a mudar quando o ministro do STF, Flávio Dino, pediu vistas do julgamento que implicava Alexandre de Moraes na esteira do caso Master. Nos dias seguintes, o governo Lula conseguiu pautar as eleições com medidas como o aumento do Bolsa Família, o fim das bets no Brasil e a distribuição de canetas emagrecedoras pelo SUS. Flávio Bolsonaro, por sua vez, mergulhou numa crise envolvendo a hipótese de acabar com o título de Nossa Senhora de Aparecida como Padroeira do Brasil, o que alarmou o nicho católico do eleitorado.
Reta final teve fake news e ausência em debate da Globo
Na reta final da campanha, Lula tornou-se centro de intensos debates nas redes sociais com críticas da oposição após declarar, durante agenda pública no Pará, que “as mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas” enquanto os homens ainda mantêm preconceitos em relação ao exame de prevenção do câncer de próstata. A fala teve seu contexto manipulado por opositores, e a equipe de campanha de Lula teve de recorrer ao TSE para suprimir posts com conteúdo falso.
Paralelamente, o cenário político foi impactado pela decisão de Lula em não comparecer ao debate promovido pela TV Globo na quinta-feira (1º), uma estratégia adotada por sua coordenação de campanha para evitar exposições de risco e dinâmicas desfavoráveis no último grande embate do primeiro turno.
Paralelamente às polêmicas, o processo eleitoral enfrentou o esvaziamento dos debates na televisão diante do não comparecimento das principais lideranças aos primeiros encontros, o desafio de conter a disseminação de conteúdos gerados por inteligência artificial e os conflitos na Justiça Eleitoral derivados da atuação das candidaturas de terceira via.
Assista a apuração ao vivo no canal TV GGN, no Youtube:
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