É falso que Eduarda Campopiano tenha declarado ser contra o voto feminino

Boato – Eduarda Campopiano declarou ser contra o voto feminino nas eleições.

Análise

Depois de ser eleita a deputada estadual mais votada de São Paulo nas Eleições 2026, Eduarda Campopiano passou a ser alvo de diversas publicações nas redes sociais relacionadas às suas posições políticas.

Aos 23 anos, Campopiano foi eleita pelo PL com quase 2 milhões de votos. A política construiu sua projeção pública nas redes sociais e ficou conhecida por declarações críticas ao feminismo e por posições conservadoras em temas relacionados às mulheres.

A partir dessas posições, começou a circular a afirmação de que ela seria contra o voto feminino. A alegação chama atenção porque a própria Campopiano é uma mulher que acaba de ser eleita para um cargo público pelo voto popular. Veja a mensagem que circula:

 Versão 1: “você tem direitos?” só pq você tem direitos hoje não significa que você terá direitos amanhã. (eduarda campopiano foi eleita para o cargo de deputada estadual em São Paulo, uma “mulher” que é contra o voto feminino, antifeminista, conservadora, contra cotas, é real, o nosso direito hoje pode ser questionado nos próximos anos.

Versão 2: Eduarda Campopiano (a que é contra voto feminino, antifeminista, conservadora, diz que feminicídio não existe, contra cotas, defende o “Deus, pátria e familia”+) foi eleita para o cargo de deputada estadual em São Paulo. as pessoas realmente estão vendo em quem elas estão votando?

Checagem

Eduarda Campopiano tem, de fato, declarações públicas bastante críticas ao feminismo e a determinadas políticas voltadas às mulheres. Porém, não encontramos uma declaração dela defendendo o fim ou a retirada do direito das mulheres de votar. Para esclarecer o caso, vamos responder a três perguntas: 1) Eduarda Campopiano declarou ser contra o voto feminino nas eleições? 2) É fato que Eduarda Campopiano defende posições contrárias a determinadas pautas feministas? 3) Quem já declarou ser contra o voto feminino nas eleições?

Eduarda Campopiano declarou ser contra o voto feminino nas eleições?

Não encontramos essa declaração. Campopiano já falou publicamente sobre o voto feminino, inclusive em entrevistas e debates, mas isso não equivale a defender a retirada desse direito das mulheres. Em uma entrevista publicada em maio de 2026, por exemplo, ela participou de uma discussão que abordou o voto feminino e a pergunta “concessão ou conquista?”. O conteúdo também tratou de feminismo, feminicídio, aborto, cotas e outros temas relacionados às mulheres. Não há, porém, nessa discussão uma declaração de Campopiano defendendo que mulheres não deveriam ter direito ao voto. Por isso, atribuir a ela a posição específica de que é contra o voto feminino extrapola o que foi efetivamente declarado.

É fato que Eduarda Campopiano defende posições contrárias a determinadas pautas feministas?

Sim. Campopiano se identifica publicamente como antifeminista. Durante a campanha, também se posicionou contra a tipificação específica do feminicídio, contra determinadas políticas de cotas e contra propostas relacionadas à criminalização da misoginia. Em uma entrevista após a eleição, ela reafirmou que pretende manter uma atuação política de oposição ao feminismo. A Folha também registrou que a deputada eleita se apresenta como “a maior inimiga das feministas de São Paulo”.

Essas posições podem ser descritas e criticadas politicamente, mas não significam automaticamente que ela seja contra o direito das mulheres ao voto. Para contextualizar as declarações, veja as reportagens sobre a trajetória e as posições públicas de Campopiano: Jornal da Orla: declarações polêmicas de Eduarda Campopiano.Correio: perfil e declarações da deputada eleita.

Quem já declarou ser contra o voto feminino nas eleições?

Existem, sim, pessoas no Brasil que defenderam publicamente posições contrárias ao sufrágio feminino. O debate ganhou espaço em 2026 com declarações de influenciadores e outras figuras públicas que questionaram o direito das mulheres ao voto. Uma reportagem da BBC News Brasil, por exemplo, identificou diferentes mulheres que passaram a defender ou questionar publicamente o voto feminino. Entre os casos citados está o de Pietra Bertolazzi, que declarou ser contra o voto feminino.

O direito ao voto das mulheres no Brasil foi conquistado oficialmente em 1932. A Justiça Eleitoral mantém uma linha do tempo sobre a participação feminina na política e explica a trajetória histórica da conquista do sufrágio feminino. Veja o histórico do voto feminino no site do TSE. Portanto, existem pessoas que efetivamente defendem a retirada ou a restrição desse direito. O problema é atribuir essa mesma posição a deputada estadual eleita sem uma declaração que sustente a afirmação.

Conclusão

É falso que Eduarda Campopiano tenha declarado ser contra o voto feminino. A deputada eleita de São Paulo é publicamente antifeminista e possui posições contrárias a determinadas pautas e políticas relacionadas às mulheres, como a tipificação específica do feminicídio e determinadas políticas de cotas. No entanto, não encontramos uma declaração dela defendendo o fim do direito das mulheres de votar.

Fake news ❌

Ps: Esse artigo é uma sugestão de leitores do Boatos.org. Se você quiser sugerir um tema ao Boatos.org, entre em contato com a gente pelo e-mail [[email protected]](mailto:[email protected]) e WhatsApp (link aqui: https://wa.me/556192755610)

Artigo Anterior

É falso que atraso na apuração prove fraude contra Flávio Bolsonaro no 1º turno das eleições

Próximo Artigo

O fiel da balança

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!