Deslizamento e enchentes deixam 150 mortos e centenas de desaparecidos no Nepal

Ao menos 150 pessoas morreram e outras 484 permanecem desaparecidas após fortes enchentes e deslizamentos atingirem o norte do Nepal nesta quarta-feira (26). Entre os desaparecidos estão 391 estrangeiros e 93 cidadãos nepaleses, segundo informações divulgadas pelo gabinete do primeiro-ministro do país e pela agência estatal chinesa Xinhua.

A região atingida fica próxima à fronteira entre Nepal e China e inclui a área do porto de Gyirong, importante passagem terrestre entre os dois países. Um deslizamento ocorrido no lado nepalês da fronteira provocou graves danos e atingiu a área do porto no território chinês, deixando mortos e desaparecidos.

No lado chinês, autoridades de Xigaze, na Região Autônoma do Xizang (Tibete), informaram que três pessoas haviam sido encontradas mortas e 265 estavam desaparecidas até as 20h desta quarta-feira. O número ainda estava sendo verificado enquanto as equipes de emergência trabalhavam para chegar às áreas afetadas.

O presidente chinês, Xi Jinping, determinou uma mobilização ampla para as operações de busca e resgate. Ele também ordenou a retirada de moradores em áreas de risco, atendimento médico aos feridos e reforço do monitoramento para prevenir novos desastres.

A tragédia também mobilizou a embaixada da China no Nepal, que ativou seu mecanismo de resposta emergencial para avaliar a situação de cidadãos e empresas chinesas na região afetada.

O governo chinês orientou seus cidadãos no Nepal a acompanhar os alertas meteorológicos e as condições das estradas e evitar regiões montanhosas, margens de rios, áreas baixas sujeitas a inundações e locais remotos com pouca comunicação.

A dimensão internacional do desastre é significativa. De acordo com os dados divulgados pelas autoridades nepalesas, entre os estrangeiros desaparecidos estão 134 indianos, 47 norte-americanos, 33 britânicos e 34 australianos. A situação é agravada pelas condições geográficas e meteorológicas: as estradas que levam ao porto de Gyirong foram destruídas, enquanto os serviços de comunicação e fornecimento de energia foram interrompidos.

Imagens obtidas por drones indicaram que as vias próximas ao local foram completamente danificadas, e os números de mortos e desaparecidos podem mudar à medida que as equipes consigam acessar as áreas isoladas e restabelecer as comunicações.

China amplia mobilização para resgate

As autoridades chinesas deslocaram centenas de profissionais e equipamentos para a região. Um contingente de 145 policiais e soldados da Força Armada de Polícia do Povo Chinês foi enviado para auxiliar nas operações de emergência.

O Comando Militar do Xizang também mobilizou uma equipe de comando avançado e deixou mais de 130 integrantes de uma segunda força de resgate em condições de serem deslocados, acompanhados por veículos e equipamentos de engenharia.

O Ministério de Gestão de Emergências da China enviou ainda uma equipe de trabalho para acompanhar a resposta ao desastre. Ao todo, 249 integrantes das forças nacionais de bombeiros e resgate e outros 325 profissionais de equipes de engenharia foram mobilizados com equipamentos especializados.

A resposta inclui sistemas de comunicação de emergência, equipamentos de detecção aérea e máquinas utilizadas para recuperar estradas e acessar áreas isoladas.

As autoridades também destinaram 30 mil itens de ajuda humanitária ao condado de Gyirong. Entre os suprimentos preparados para as equipes estão mais de 1.800 refeições individuais de aquecimento, mais de 40 toneladas de combustível e caixas de alimentos enlatados.

A operação, contudo, enfrenta riscos adicionais. Chuva leve continuava sendo registrada na região, com possibilidade de elevação dos níveis dos rios. Autoridades chinesas alertaram ainda para o risco de novos deslizamentos e desabamentos nas montanhas próximas.

Com CNN, Global Times e Xinhua

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