Deputado é alvo da PF por suspeita de compra de votos

Deputado federal Ricardo Abrão
O deputado federal Ricardo Abrão. Foto: Reprodução

O deputado federal Ricardo Abrão (PSDB-RJ) foi alvo de uma operação da Polícia Federal na manhã desta quinta (3), no Rio de Janeiro. A investigação apura um esquema de compra de votos em Nilópolis durante as eleições municipais de 2024.

Os agentes cumpriram mandado de busca e apreensão domiciliar e pessoal. A Justiça também autorizou o afastamento do sigilo de dados armazenados nos equipamentos eletrônicos apreendidos.

A operação deriva de uma investigação iniciada em outubro de 2024, quando policiais prenderam 24 pessoas em flagrante. Em fevereiro de 2025, o caso também levou ao cumprimento de mandados judiciais na Operação Astreia.

Em nota, Abrão afirmou que recebeu a ação com surpresa e negou ter disputado a eleição investigada. “Recebi com estranheza a operação deflagrada pela Polícia Federal. Esclareço que não participei como candidato nas eleições de 2024. Estou tranquilo e à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos”, escreveu.

Casa do deputado Ricardo Abrahão na Zona Sudoeste do Rio. Foto: reprodução/TV Globo

Trajetória de Ricardo Abrão na política e na Beija-Flor

Ricardo Abrão é filho de Farid Abraão David, ex-prefeito de Nilópolis por três mandatos e ex-presidente da escola de samba Beija-Flor. Farid morreu em 2020, em decorrência da Covid-19.

O deputado também é sobrinho de Anísio Abraão David, apontado como um dos chefes do jogo do bicho no Rio de Janeiro e presidente de honra da Beija-Flor. Ricardo presidiu a escola de samba de Nilópolis entre 2017 e 2021, após substituir o pai.

Antes de chegar à Câmara, Abrão exerceu dois mandatos de deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Na atual legislatura federal, ocupou uma cadeira entre fevereiro e julho de 2023 durante a licença de Daniela Carneiro (Republicanos-RJ), então ministra do Turismo.

Abrão retornou posteriormente à Câmara durante outra ausência parlamentar e assumiu oficialmente em 2024 a vaga de Chiquinho Brazão, cujo mandato a Mesa Diretora cassou por faltas às sessões. Brazão era investigado como suposto mandante da morte da vereadora Marielle Franco e recebeu do Supremo Tribunal Federal uma condenação de 76 anos de prisão em 2026.

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