
Marco Rubio correu o mesmo risco que os ajudantes de gângsteres assumem em ambientes públicos para agradar o chefão. O secretário de Estado de Trump tentou puxar conversa com Lula, dentro da ONU, e foi esnobado.
Como todo ajudante humilhado, será vingativo? O vídeo que flagra a tentativa de aproximação mostra a grande cena do primeiro dia da 81ª sessão da Assembleia Geral. Lula é cercado por colegas de outros países e diplomatas e caminha em linha reta, nos corredores, logo depois de discursar.
Rubio, do seu lado esquerdo, tenta atrair sua atenção. Faz um sinal com a mão, diz algo para o chanceler Mauro Vieira, mas não tem sucesso. Lula e Vieira chegam a olhar ao mesmo tempo na direção de Rubio, mas decidem seguir em frente.
Celso Amorim, assessor especial de Lula para assuntos internacionais, vem logo atrás de Vieira e finge não ver Rubio.
O sujeito, descendente de cubanos, iria puxar conversa em portunhol com Lula, no meio daquele monte de gente? Iria dizer o quê? Iria apenas tentar um aperto de mãos?
O que Mauro Vieira diz a Rubio quando ele faz o sinal em direção a Lula? O bom da cena é que fica claro que Lula e Vieira o esnobaram. O ruim é que perdemos a chance de saber o que ele iria dizer, se é que iria.
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Rubio é apresentado há muito tempo como o emissário de Trump para esculhambar com a eleição brasileira. Ele é quem tem a tarefa de levar adiante o plano de oferecer o Brasil como o maior troféu de Trump.
Os Estados Unidos já conseguiram interferir na Argentina, no Equador, no Peru e na Colômbia, elegendo seus prepostos, além de assumirem o controle da Venezuela depois do sequestro de Nicolás Maduro.
Mas todos esses países somados não valem um Brasil. E o Brasil, disse Lula na ONU, não cabe no quintal de ninguém. Trump só terá o controle absoluto da América Latina se conseguir eleger seu candidato em outubro.
Lula já definiu Rubio como “um latino-americano frustrado”, pela sua condição de filho de cubanos, e disse temer sua interferência nas eleições no Brasil, por sua proximidade com os Bolsonaros. O secretário devolveu dizendo que Lula “se curva para o governo genocida da China”.
Um aperto de mãos entre os dois na ONU seria uma imagem que passaria tudo, menos sinceridade. Como a cena da tentativa de aproximação correu o mundo, Rubio foi exposto também dentro dos Estados Unidos como o guri de recados que nem recados consegue entregar.