Demanda por crédito entre empresas cresce 9,2% em um ano, aponta Serasa

A busca das empresas brasileiras por crédito cresceu 9,2% no acumulado de 12 meses até junho, segundo levantamento da Serasa Experian. O avanço ocorre em um cenário de juros ainda elevados, desaceleração da atividade econômica e critérios mais rigorosos das instituições financeiras para a concessão de recursos.

As micro e pequenas empresas registraram a maior expansão entre os portes analisados, também de 9,2%. Na sequência aparecem as grandes empresas, com alta de 7,8%, e as médias, com crescimento de 7,4%.

Ao mesmo tempo em que a procura aumenta, a oferta permanece mais restritiva. A Serasa aponta que os níveis elevados de inadimplência levam os bancos a adotar maior cautela na concessão de crédito. Programas apoiados por fundos garantidores podem ampliar o acesso a determinadas modalidades, como o capital de giro, mas não eliminam o impacto dos juros sobre o custo dos empréstimos.

Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, o resultado mostra a importância do crédito para a manutenção das operações empresariais, principalmente no financiamento do capital de giro e na administração do fluxo de caixa.

Segundo ela, a necessidade é ainda mais evidente entre os pequenos negócios, que enfrentam maiores dificuldades para equilibrar recebimentos e pagamentos e preservar a liquidez em um ambiente de custo financeiro elevado.

Serviços e agropecuária lideram procura por crédito

Todos os setores analisados apresentaram crescimento da demanda por crédito no período de 12 meses até junho. Serviços registrou a maior alta, de 14%, seguido pela agropecuária, com 13%. Indústria avançou 7,5%, enquanto o comércio teve crescimento de 5,3%.

A expansão também foi disseminada regionalmente. Mato Grosso do Sul apresentou o maior crescimento entre as Unidades Federativas, com 23,3%, seguido por Roraima (21,9%) e Paraíba (17,3%). Amazonas (16,5%) e Tocantins (13,6%) completam os cinco maiores avanços. Na outra ponta, o Rio de Janeiro foi o único estado a apresentar retração, de 0,4%. Espírito Santo registrou alta de 3,3% e Pernambuco, de 5%.

Considerando apenas junho de 2026 em relação ao mesmo mês de 2025, a demanda empresarial por crédito cresceu 6,6%. Nesse recorte, as grandes empresas tiveram o maior avanço, de 10%, enquanto micro e pequenas empresas cresceram 6,6% e médias empresas, 6,2%.

Por setor, a agropecuária liderou o crescimento interanual, com alta de 14,8%, seguida por serviços (12%), indústria (4,1%) e comércio (2,1%).

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