
Juntem o apelo de Nikolas Ferreira para que Vorcaro resolvesse o problema dos ‘ativos minerários’ de um amigo, a delação do homem que entregou dinheiro de Vorcaro ao fundo de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e a notícia de que André Mendonça decidiu deixar seu instituto beneficente, onde um dia recebeu Vorcaro.
Nada disso abala a direita e a extrema direita. Nem a descoberta de uma quadrilha de cobradores de propinas dentro da Secretaria da Fazenda de Tarcísio de Freitas. São miudezas num atacado de notícias ruins que, soltas a granel, não funcionam mais.
É o que comprova o Datafolha desta quinta-feira. Lula perde um ponto e fica com 46% e Flávio ganha um e vai a 44%, no segundo turno, em relação à pesquisa de 21 de agosto. A diferença pró-Lula cai de quatro para dois pontos em duas semanas.
A extrema direita vive e esperneia. Se descobrirem hoje que Vorcaro presenteou cada filho de Bolsonaro com um jatinho, os jornalões passarão a apresentar os modelos de cada jato. E irão chamar especialistas para que debatam sobre qual deles recebeu o avião melhor equipado.
Se o último repórter investigativo do Brasil se dedicar a remexer a vida de Flávio Bolsonaro, tudo que encontrar como fatos novos, por mais escabrosos que sejam, não mudará nada até a eleição. Repórter investigativo não tem o status que já teve no Brasil. O que tem valor é o colunista de vazamentos.
E tem quem se pergunte: quanto Lula pode ganhar com a aprovação do fim da escala 6×1 e quanto Flávio pode perder com novas informações sobre o dinheiro do Vorcaro? É provável que Lula ganhe pouco e que Flávio não perca quase nada.
Não é nessa área dos valores éticos e morais que as coisas irão se acomodar até a eleição. Há muito tempo não é. O eleitor à direita não se importa com valores essenciais na avaliação de figuras públicas das estruturas antilulistas.

Podem aparecer novos áudios em que Flávio e Nikolas chamam Vorcaro de mermão, chefão, lindão, chegadão e patrão, usando a linguagem das milícias, que não mudará quase nada. Podem descobrir que o apelido Dani, usado por Nikolas, era comum entre os bolsonaristas que mordiam Vorcaro. Não importa.
Valores não alteraram humores e sentimentos na Argentina, nos Estados Unidos, no Chile, no Equador, em El Salvador, na Colômbia. Todos os eleitos nesses países são figuras consideradas disruptivas, antes de serem entendidas como fascistas.
E muitas vezes nem são vistos como extremistas. São disruptivos amorais, negacionistas do clima, violentos, armamentistas, anticiência, antivacina. Não importa.
O que restava de racionalidade no envolvimento das pessoas com figuras públicas desapareceu no pântano de onde emergem mágicos antissistema, anticasta e anti tudo isso que está aí. No Brasil, com a particularidade do antilulismo.
Se as esquerdas conseguissem pagar milhões de influencers para mobilizar as redes sociais contra Flávio, pouco mudaria. Podem repetir que o filho ungido é entreguista pró-Trump, que ajudou a sabotar o Brasil com o tarifaço, que é amigo de milicianos, que lavava dinheiro de caixa dois e rachadinhas comprando imóveis, que é de família golpista, que é autoritário e machista, segundo a própria madrasta, que está jogando contra o fim da escala 6×1 e que recebeu mais de R$ 80 milhões de Vorcaro.
Flávio não deixará de ser mermão, mesmo que as pesquisas digam que ele não era o preferidão da direita para enfrentar Lula. Não tem a preferência, é o pior dos Bolsonaros, é fraco, é simplório e despreparado, mas é o que tem. É o lindão por exclusão, na falta de outro mais vistosão.