
O filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, só deve chegar aos cinemas brasileiros em 2027. A distribuidora Europa Filmes planeja divulgar o trailer nacional após o segundo turno eleitoral, enquanto a produção enfrenta pendências administrativas e virou alvo de investigação sobre seu financiamento. Com informações de Malu Gaspar, para O Globo.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) são investigados em inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura indícios de corrupção, evasão de divisas e lavagem de capitais. A apuração começou após a divulgação de áudios em que Flávio pede dinheiro ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para custear a produção.
A Polícia Federal investiga se recursos enviados por Vorcaro por meio do fundo Havengate, administrado por um advogado próximo de Eduardo, tiveram destinação diferente da declarada. Uma das linhas de apuração analisa uma possível ligação entre o dinheiro e a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
“Dark Horse” teve o registro aceito pela Agência Nacional do Cinema (Ancine), mas ainda precisa da autorização para exploração comercial e da classificação indicativa do Ministério da Justiça. O longa tem 1 hora e 40 minutos, foi gravado em inglês e passará por dublagem para a distribuição de cópias no Brasil.
PF questiona projeções de bilheteria e custos do longa

Relatório da Polícia Federal divulgado por decisão do ministro André Mendonça aponta que o plano de negócios previa três cenários de arrecadação: US$ 45 milhões, US$ 70 milhões e US$ 100 milhões. Para os investigadores, os valores destoam dos parâmetros do mercado brasileiro e exigem apuração sobre a viabilidade econômica e a finalidade da operação.
O documento compara a projeção mais otimista com a arrecadação de “Minha Mãe é uma Peça 3”, que fez cerca de R$ 120 milhões em 2019, aproximadamente US$ 30 milhões à época. A PF afirmou que a previsão de US$ 100 milhões colocaria “Dark Horse” em uma faixa superior a três vezes o recorde do cinema nacional.
Uma perícia privada contratada pela produtora Go Up Entertainment estimou o custo do filme em US$ 13,39 milhões, ou R$ 75,1 milhões pela cotação usada no laudo. O documento apontou que 72% das despesas ocorreram nos Estados Unidos, embora as filmagens tenham sido realizadas no Brasil, e atribuiu US$ 2,68 milhões à etapa inicial de definição conceitual do projeto.
Em 28 de julho, a Ancine autuou a Go Up Entertainment por gravar no Brasil uma obra estrangeira sem comunicar a produção à agência. A autuação pode resultar em multa de R$ 2 mil a R$ 100 mil. O filme recria o atentado contra Bolsonaro em Juiz de Fora, a campanha de 2018 e dá espaço maior à personagem de Michelle Bolsonaro do que ao personagem de Flávio.