
Um relatório da Polícia Federal aponta que o fundo Havengate, administrado nos Estados Unidos pelo advogado de imigração Paulo Calixto, próximo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, ficou sem atividade pública por quase quatro anos antes de receber US$ 2 milhões em fevereiro de 2025. A remessa teria como destinação declarada o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O documento, divulgado após o Supremo Tribunal Federal (STF) retirar o sigilo de peças da investigação do caso Master, registra que o fundo permaneceu juridicamente ativo, mas “operacionalmente inerte” até 13 de fevereiro de 2025. Naquela data, a Entre Investimentos enviou os US$ 2 milhões, conforme a PF.
Os investigadores destacaram que o Havengate havia sido criado para operações imobiliárias e não apresentava lastro em empreendimento ativo desse tipo quando voltou a receber recursos. Para a PF, o uso do veículo financeiro para remessas ligadas a uma produção audiovisual exige apuração sobre a compatibilidade entre o perfil do fundo e a destinação declarada.

Delação relata sete transferências de US$ 12,3 milhões
Antonio Carlos Freixo Júnior, operador do mercado financeiro conhecido como Mineiro, afirmou em acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República que fez sete transferências ao Havengate em 2025, a pedido de Vorcaro. Os pagamentos somaram US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 69 milhões na cotação do período.
As parcelas ocorreram entre fevereiro e setembro de 2025. O sétimo repasse alcançou US$ 1,66 milhão, valor estimado em aproximadamente R$ 9 milhões à época.
Mineiro também relatou aos investigadores entregas de dinheiro vivo, inclusive em malas, a terceiros indicados por Vorcaro. O colaborador disse não saber qual seria a finalidade desses valores.
A PF e a PGR investigam se as transferências ao Havengate, declaradas como recursos para “Dark Horse”, podem ter financiado também a permanência de Eduardo nos Estados Unidos. O deputado se mudou para o Texas em fevereiro de 2025 e alegou sofrer perseguição política no Brasil.
A defesa de Mineiro participou, na terça-feira (8), de uma audiência com juiz auxiliar do gabinete do ministro André Mendonça para confirmar a voluntariedade, a regularidade e a legalidade do acordo. Essa etapa antecede a decisão do relator sobre a homologação da colaboração.