Cúpula da PGR vê desgaste após mensagens de Vorcaro citarem Gonet

Paulo Gonet de terno escuro, gravata azul e óculos em ambiente interno
Paulo Gonet usa terno escuro, gravata azul e óculos diante de uma parede clara. Foto: Pedro Ladeira/Folhapress

Integrantes da cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR) avaliam que as menções a Paulo Gonet em mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, criaram uma situação de desgaste grave para a instituição, segundo a Folha de S.Paulo. Apesar do incômodo, procuradores afirmam não haver, até agora, elemento que justifique abrir investigação contra o procurador-geral.

O relatório da Polícia Federal reúne diálogos nos quais o advogado Ciro Soares encaminha a Vorcaro mensagens atribuídas a Gonet. Em outros trechos, o empresário pede ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que acione o procurador-geral e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para barrar uma operação contra a instituição financeira.

As mensagens também citam um pedido do filho de Gonet para participar de um evento em Londres custeado por Vorcaro, com despesas pagas. Procurado na quarta (2) e na quinta (3), o chefe do Ministério Público Federal não se manifestou.

Em conversas com integrantes de sua equipe, Gonet negou proximidade com Vorcaro e disse que Moraes jamais solicitou qualquer interferência em investigações sobre o Banco Master. Pessoas que trabalham diretamente com o procurador-geral afirmam que ele conhecia Ciro Soares e mantinha com o advogado um tratamento amigável.

Daniel Vorcaro. Foto: Ana Paula Paiva/Agência O Globo

Setor da Procuradoria defende afastamento de Gonet do caso Master

Uma ala da PGR considera que as citações no relatório da PF são suficientes para levantar dúvidas sobre a permanência de Gonet à frente do caso. Para esse grupo, um afastamento preveniria questionamentos sobre eventual conflito de interesses e reduziria o risco de a controvérsia afetar a apuração.

Integrantes do órgão passaram a discutir se o Conselho Superior do Ministério Público Federal deveria tratar do episódio. O colegiado cuida de processos administrativos, promoções, normas de atuação e proposta orçamentária, mas o procurador-geral não se submete ao conselho; eventual responsabilização funcional ou disciplinar de um PGR depende de análise do Senado por crime de responsabilidade.

Nicolau Dino, vice-presidente do Conselho Superior do MPF e irmão do ministro Flávio Dino, poderia convocar uma sessão para debater o assunto com os demais integrantes. Procuradores que defendem cautela apontam que a posição de Gonet exige atenção redobrada, sobretudo porque o caso também envolve referências a um ministro do STF.

Aliados de Gonet sustentam que a participação em eventos privados com centenas de convidados, como o encontro em Londres e uma degustação de uísque, não demonstra intimidade com Vorcaro. Um interlocutor do procurador-geral afirmou ainda que ele não tinha o número do empresário salvo no celular; a interlocução relatada pela PF teria ocorrido por Ciro Soares, que escreveu a Vorcaro, em abril de 2024: “Amizade é tudo viu irmão” e “Gonet é firme”.

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