CTB repudia exaltação dos EUA por bolsonaristas no Dia da Independência

Enquanto o Brasil celebrava sua independência, apoiadores de Flávio Bolsonaro exibiram bandeiras dos Estados Unidos na Avenida Paulista

O 7 de Setembro, data em que o Brasil celebra sua Independência, foi marcado por manifestações em defesa da democracia e da soberania nacional em diferentes regiões do país. Na Avenida Paulista, em São Paulo, entretanto, apoiadores do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) participaram de um ato político marcado também pela exaltação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e pela presença de bandeiras norte-americanas.

O episódio representa, para a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), uma afronta ao próprio significado da data nacional e evidencia a contradição do discurso de “patriotismo” adotado por setores da extrema direita brasileira.

A CTB tem denunciado reiteradamente a aproximação entre setores do bolsonarismo e interesses do governo norte-americano, especialmente diante das iniciativas de Donald Trump contra o Brasil. Em documento publicado pela Central, o presidente da entidade, Adilson Araújo, afirmou que a defesa da soberania nacional é incompatível com a submissão aos interesses de uma potência estrangeira.

Patriotismo não combina com submissão

Para a CTB, não há patriotismo quando brasileiros recorrem a uma potência estrangeira para pressionar instituições e interferir nos rumos políticos do próprio país. A Central considera que a soberania nacional pertence ao povo brasileiro e não pode ser negociada em Washington ou em qualquer outra capital estrangeira.

A posição da entidade já foi expressa diante das medidas adotadas pelo governo Trump contra o Brasil. Em 2025, a CTB e outras centrais sindicais repudiaram o chamado “tarifaço” norte-americano e denunciaram a tentativa de utilizar medidas econômicas e sanções como instrumentos de pressão política.

Mais recentemente, a Central voltou a denunciar a ofensiva do governo Trump e afirmou que a aproximação de setores da extrema direita brasileira com interesses estrangeiros constitui uma ameaça à soberania, à democracia e aos direitos sociais.

A contradição ficou ainda mais evidente no Dia da Independência. Enquanto movimentos sociais, centrais sindicais e trabalhadores foram às ruas para defender um Brasil soberano, setores do bolsonarismo fizeram da Avenida Paulista um espaço de apoio político a Trump. O ato liderado por Flávio Bolsonaro reuniu cerca de 28,5 mil pessoas, segundo levantamento do Monitor do Debate Político da USP e do Cebrap.

Soberania é uma bandeira da classe trabalhadora

Para a CTB, defender a soberania significa proteger as riquezas nacionais, a indústria, os empregos, os recursos naturais, a democracia e a capacidade do Brasil de decidir seus próprios caminhos.

A Central também considera que soberania e direitos sociais caminham juntos. A defesa de um projeto nacional de desenvolvimento, com valorização do trabalho e ampliação dos direitos da população, está diretamente ligada ao enfrentamento das políticas de submissão aos interesses estrangeiros.

No 7 de Setembro, portanto, a CTB reafirma sua posição: o Brasil não é colônia, não é quintal de nenhuma potência e não deve se submeter aos interesses de governos estrangeiros.

A Independência celebrada pelos brasileiros deve significar também independência política, econômica e social. E, para a classe trabalhadora, defender a soberania nacional é defender o direito do povo brasileiro de decidir o próprio futuro.

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