O pedido de recuperação extrajudicial apresentado pela petroquímica Braskem à Justiça de São Paulo, nesta segunda-feira (24), é mais um capítulo da conturbada na história da maior petroquímica da América Latina, que soma mais de US$ 10 bilhões de dólares em dívidas (R$ 56 bilhões).
A solicitação foi acolhida pela 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca da Capital do Estado de São Paulo, que suspendeu por 60 dias a execução de dívidas. No caso de uma recuperação extrajudicial, a empresa tentar negociar diretamente com seus credores e leva o acordo à homologação da Justiça.
Agora, a empresa, que continuará operando, tem um espaço de 90 dias para negociar novas condições de pagamento dessa dívida. Para que o plano seja avalizado, é necessária a aprovação de metade dos acionistas.
Como forma de enfrentar a situação, a Petrobras — que detém cerca de 47% do capital com direito a voto e 36,1% do capital total da companhia — poderá aportar R$ 2,35 bilhões. O acordo ainda depende da aprovação das instâncias de governança da estatal.
Conforme divulgado, o objetivo é a compra de matérias-primas, em convergência com “determinados contratos comerciais”, com prazo de pagamento de até 30 dias. O prazo da linha vai até 31 de dezembro de 2026.
Segundo noticiou o jornal O Estado de S.Paulo, “de acordo com uma pessoa próxima às negociações, com o apoio da Petrobras, principal fornecedora dos insumos usados pela petroquímica, os bondholders (detentores de título de dívida emitidos no exterior) tendem a aceitar o acordo, já que, numa recuperação judicial, a perda de dinheiro para eles é certa”.
Problemas em série
A empresa surgiu em 2002, da integração de ativos da antiga Odebrecht (hoje Novonor) e do Grupo Mariani e reuniu seis petroquímicas: Copene, OPP, Trikem, Proppet, Nitrocarbono e Polialden.
Seus negócios se expandiram internacionalmente e hoje estão presentes em 11 países, com mais oito mil funcionários. Conta, ainda, com 39 unidades industriais, 14 escritórios comerciais e sete centros de inovação.
A Braskem atua no setor químico e petroquímico, com foco na produção de resinas termoplásticas como polietileno (PE), polipropileno (PP) e policloreto de vinila (PVC). A Petrobras, além de ser uma de suas maiores acionistas, é uma das principais fornecedoras de matéria-prima.
Embora tenha obtido resultados positivos em períodos recentes, a empresa vem acumulando problemas graves, cujos custos extrapolam seus lucros, inclusive no que diz respeito à falta de uma gestão adequada de suas operações.
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A partir de 2018, a exploração de sal-gema pela Braskem foi apontada como causa de rachaduras e afundamento de solo em vários bairros de Maceió (AL). Além dos danos ambientais, mais de 55 mil moradores tiveram que deixar suas casas, que corriam o risco de desmoronar. Desde então, a empresa vem arcando com bilhões de reais em indenizações e reparações.
Outro fator relevante para a crise da empresa é que a indústria petroquímica mundial enfrenta um período prolongado de margens apertadas, excesso de oferta global e perda de competitividade.
No plano apresentado, a empresa diz atravessar “uma crise de liquidez significativa, decorrente, sobretudo, do ciclo prolongado de baixa da indústria petroquímica global, com queda de demanda, excesso de oferta mundial, compressão de ‘spreads’ e perda de competitividade dos produtores à base de nafta”.