
A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pretende usar na propaganda eleitoral críticas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) à atuação da Polícia Federal. A estratégia busca reforçar a acusação, já adotada pelo candidato, de que a corporação sofre instrumentalização política, segundo o jornal O Globo.
Os auxiliares de Flávio pretendem recuperar trechos da sessão de terça (15), que discutiu mensagens encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro e atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes. As falas sobre uma “PF paralela”, “desvios de finalidade” e “arapongagem” devem entrar nas próximas agendas e peças de comunicação.
O ministro André Mendonça afirmou que haveria monitoramento de integrantes do Supremo. “Nós temos hoje uma PF paralela, uma PF paralela, com monitoramento de ministros. Não pense que Vossa Excelência está salvo, não, ministro”, disse.
Luiz Fux também criticou a corporação ao defender medidas adotadas pela Segunda Turma no caso. Para o ministro, o colegiado identificou “desvios de finalidade” na atuação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Fux citou atuação da PF contra o Judiciário
“Sou juiz há 50 anos, a Polícia Federal sempre trabalhou em prol do Poder Judiciário. O que não pode é a Polícia Federal trabalhar contra o Poder Judiciário e instrumentalizar pessoas para sustentar posições contra o Poder Judiciário”, afirmou Fux durante o julgamento.
Em outra intervenção, Fux disse que nunca tinha visto a Polícia Federal “peitar” um ministro do STF. Ele sustentou que a situação poderia criar uma estrutura voltada à “arapongagem” contra integrantes da Corte.
Flávio já havia feito acusações semelhantes em Juiz de Fora (MG), na semana anterior, quando falou em um “tapetão” contra sua candidatura e declarou que usariam a PF politicamente. O senador também retomou essa linha após uma operação atingir pessoas ligadas à investigação sobre o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O plenário do STF divergiu sobre a conduta da PF. Gilmar Mendes criticou a decisão de Mendonça que determinou o afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, classificando a medida como um “vexame”.
Alexandre de Moraes defendeu a corporação no embate com Mendonça e perguntou: “Quem tem medo da Polícia Federal?”. O ministro também acusou o colega de pressionar integrantes da instituição para incluir seu nome na investigação; Mendonça negou a acusação.
Mesmo sem posição uniforme no Supremo, a campanha de Flávio mantém o plano de explorar as falas críticas. Na terça-feira, o candidato levou o embate envolvendo Moraes ao horário eleitoral de televisão enquanto cumpria agenda em Fortaleza, no início de um giro pelo Nordeste.