
O deputado federal André Janones (Rede-MG) afirmou que o canal de WhatsApp “Exército do Lula” alcançou mais de 4 milhões de usuários enquanto enfrentava uma disputa na Justiça Eleitoral provocada pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Com informações da coluna da Mônica Bergamo da Folha de S. Paulo.
“Quero que Flávio Bolsonaro continue tentando nos censurar. A cada tentativa dele aumenta 1 milhão de novos membros”, disse.
O canal tinha 2 milhões de participantes na quinta-feira (7) e reunia cerca de 50 mil pessoas no fim do primeiro turno. A campanha do presidente Lula (PT) registrou o grupo na Justiça Eleitoral na terça-feira (13), atendendo a uma das condições fixadas pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques.
Após o registro, Kassio considerou o caso encerrado. O ministro havia expedido dois despachos para suspender o funcionamento do canal, criado por Janones para mobilizar eleitores de Lula durante a campanha presidencial.
Janones criticou a decisão inicial e disse enxergar indícios de tratamento desigual, embora tenha afirmado não considerar que o TSE, como instituição, esteja comprometido. “A decisão de suspender o canal foi dada sem análise de qualquer prova, de qualquer indício. Então, a priori, existem indícios sim de um tratamento desigual”, declarou.

A campanha de Flávio Bolsonaro acionou a Justiça Eleitoral sob a alegação de que o canal divulgava conteúdos falsos sobre o senador, entre eles referências a uma suposta ligação com milícias e lavagem de dinheiro. Em relatório divulgado na segunda-feira (12), a área técnica do TSE informou que não localizou nas mensagens analisadas os conteúdos apontados na ação.
O documento registrou que publicações apagadas poderiam não estar disponíveis para consulta. Janones sustentou que a acusação contra o canal não se confirmava: “Criou-se uma fake news para combater uma suposta fake news que nunca existiu. A fake news aí era de que eu estava publicando fake news”.
O deputado também citou outras decisões de Kassio Nunes Marques, como a suspensão da circulação do jornal “Petróleo dos Brasileiros”, do Sindipetro Unificado, a pedido da campanha de Flávio. O ministro ainda negou solicitações do PT para remover peças que associavam Lula a Alexandre de Moraes, ao caso do INSS, à liberação de cassinos ilegais e ao endividamento da população.
Em áudio enviado aos participantes do canal, Janones pediu que os apoiadores não atacassem ministros do TSE nem a imprensa. “Nós não vamos fazer isso, porque nosso exército é um exército democrático”, afirmou, ao dizer que cumprirá as decisões judiciais e recorrerá com advogados contra aquelas que considerar injustas.