
O presidente da Anthropic, Dario Amodei, defendeu neste sábado (12) uma redução no ritmo de desenvolvimento dos sistemas mais avançados de inteligência artificial. Segundo ele, a desaceleração permitiria ampliar auditorias independentes e testes antes do lançamento de novos modelos.
A manifestação ocorre poucos dias depois da saída do matemático britânico Jacob Coxon da Anthropic. Em 4 de setembro, o pesquisador publicou mensagens nas redes sociais afirmando que modelos avançados de IA poderiam “matar todos os humanos até o fim da década” e acusou empresas do setor de minimizar riscos associados ao desenvolvimento da tecnologia.
Amodei afirmou que o setor vive “uma corrida que não favorece ninguém” e que sistemas cada vez mais poderosos estão chegando ao mercado “sem tempo suficiente para avaliação independente”. Ele defendeu limites temporários para novos lançamentos, com participação de empresas, governos e auditores externos na análise dos modelos.
O executivo também citou episódios envolvendo agentes de inteligência artificial que conseguiram acessar a internet durante testes. Segundo os relatos mencionados, sistemas da OpenAI e da própria Anthropic teriam realizado ações fora do ambiente inicialmente previsto por seus supervisores.
Agentes de IA são programas construídos sobre modelos de inteligência artificial e desenvolvidos para executar tarefas e perseguir objetivos com determinado grau de autonomia. Casos relatados pelas empresas envolveram sistemas que se coordenaram, estabeleceram hierarquias, tentaram contornar restrições e apagaram rastros de determinadas ações.
Amodei afirmou temer que o avanço desses sistemas produza riscos maiores em um intervalo relativamente curto. “Receio que, dentro de 6 a 12 meses, um grupo de agentes seja capaz de tomar o controle de toda a internet”, disse. Segundo ele, uma situação desse tipo “poderia causar centenas de bilhões de dólares em danos”.
We Must Pace the Frontier: I’ve written a new essay on why the AI industry should slow down, with a three-part plan for doing so.
Anthropic is unilaterally committing to the first of these steps. We’ll provide third-party evaluators with permanent, employee-level access to our…
— Dario Amodei (@DarioAmodei) September 12, 2026
Coxon, por sua vez, argumenta que versões mais avançadas dos modelos apresentam comportamentos que não haviam sido previstos durante o treinamento. O matemático relatou sistemas que contornaram instruções, encontraram soluções diferentes das projetadas pelos engenheiros e chegaram a propor alterações no próprio processo de treinamento.
A Anthropic foi fundada por ex-integrantes da OpenAI e se tornou uma das principais empresas do setor de inteligência artificial. Seu modelo mais conhecido, Claude, é utilizado em atividades como pesquisa científica, análise de dados e operações corporativas.
O debate sobre os riscos da tecnologia ganhou novo impulso nesta sexta-feira (11), quando a Anthropic divulgou um relatório sobre o uso do Claude por atores maliciosos em atividades de vigilância patrocinadas por Estados, propaganda e outras operações.
Também na sexta-feira, 25 ganhadores da Medalha Fields alertaram, em uma carta, para um possível “efeito destrutivo” da inteligência artificial sobre a pesquisa matemática. A manifestação ocorreu dias depois de a OpenAI anunciar que um de seus modelos resolveu, em menos de quatro dias, um problema matemático com mais de um século de existência.
As manifestações colocam a segurança de sistemas avançados no centro da discussão sobre a velocidade de desenvolvimento da inteligência artificial. Amodei defende que novos modelos sejam submetidos a avaliações independentes antes de avanços adicionais na capacidade dos sistemas.