Chefe civil do Exército dos EUA renuncia após atritos com aliado de Trump

Daniel Driscoll
O ex-secretário de Guerra dos Estados Unidos, Daniel Driscoll. Foto: Divulgação/Gabinete presidencial da Ucrânia

O secretário do Exército dos Estados Unidos, Dan Driscoll, apresentou sua renúncia à Casa Branca após meses de atritos com o secretário de Defesa, Pete Hegseth. A Casa Branca não informou se Donald Trump aceitou o pedido.

Próximo do vice-presidente J. D. Vance, Driscoll se tornou o mais recente alto funcionário a deixar o Pentágono sob a gestão de Hegseth. A saída ocorre enquanto milhares de soldados americanos permanecem mobilizados no Oriente Médio em meio à guerra contra o Irã.

Um funcionário afirmou à Reuters que Driscoll levou à gestão preocupações sobre a transformação e a prontidão do Exército. Ele também apontou obstáculos impostos por Hegseth aos esforços de modernização, entre eles a demissão de generais. O Exército não comentou o caso.

A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, elogiou a atuação de Driscoll e disse que ele foi eficaz ao executar a agenda de Trump no Departamento do Exército. Kelly citou operações militares, a ênfase na prontidão e a participação do secretário em negociações entre Rússia e Ucrânia.

Confirmado para o cargo em fevereiro de 2025, Driscoll comandava a administração civil do Exército, com responsabilidade pelo treinamento e pelo equipamento dos soldados. Ele defendia compras mais ágeis de armamentos baratos e criticava grandes fabricantes do setor de defesa.

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, junto do secretário de guerra e chefe do Pentágono, Pete Hegserth. Foto: Andrea Hanks/Casa Branca

“A base industrial de defesa, de modo geral, e as grandes contratadas, em particular, enganaram o povo americano, o Pentágono e o Exército”, disse Driscoll no ano passado. A crítica atingiu empresas que fornecem equipamentos e sistemas militares às Forças Armadas.

Uma autoridade americana, sob condição de anonimato, afirmou que Hegseth via Driscoll como uma ameaça dentro da burocracia e queria afastá-lo havia tempo. Os vínculos do então secretário do Exército com Vance teriam dificultado a iniciativa, segundo essa fonte.

Driscoll ganhou visibilidade fora do Pentágono ao participar, por indicação de Trump, das conversas com Moscou e Kiev sobre a guerra na Ucrânia. Em abril, Hegseth demitiu o chefe do Estado-Maior do Exército, general Randy George, decisão que surpreendeu Driscoll e ampliou sua frustração com o superior.

Em junho, Hegseth também afastou o comandante das forças do Exército dos EUA na Europa e bloqueou pessoalmente promoções de altos oficiais. Nesta segunda-feira (31), comandantes do Pentágono alertaram para a sustentabilidade da guerra contra o Irã, que pressiona as forças americanas mobilizadas no Oriente Médio.

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