
Durante o debate entre candidatos ao Senado por São Paulo, organizado pela Folha de S.Paulo e pelo Uol nesta segunda-feira (21), o jornalista Fábio Zanini tentou enquadrar a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB) caçando uma incoerência dela ao defender o aumento do Bolsa Família, que aconteceu na última semana, relacionando com os movimentos de Jair Bolsonaro (PL), então presidente da República em 2022, para tentar se manter no cargo.
“Em 2022, a senhora criticou medidas do então presidente Jair Bolsonaro que ameaçavam as contas públicas”, iniciou sem detalhar que se tratavam de medidas inéditas como o aumento acima da inflação do Auxílio Brasil, nome que substituiu o Bolsa Família durante o governo de extrema-direita, e os auxílios Caminhoneiro e Taxistas.
O ex-presidente ainda reduziu impostos do combustível para minimizar o impacto da alta do preço após a privatização da Petrobras e, por fim, o corte do IPI, comprometendo a renda do Estado.
“Neste ano, o presidente Lula tem feito algo parecido. Reajustou, por exemplo, o Bolsa Família na semana passada, com um impacto significativo sobre o orçamento. A senhora não deveria também, por coerência, estar criticando essas medidas? Qual é sua opinião sobre elas?”, questionou o jornalista.
A invertida que o jornalista do Uol tomou ao tentar lacrar pra cima da Tebet sobre o Bolsa Família pic.twitter.com/Z1B34XbVZV
— Abel Ferreira Comunista! (@AugustodeS62143) September 21, 2026
Em resposta, Tebet explicou que responsabilidade fiscal não é sufocar a justiça social e que elas precisam andar juntas. “É preciso fazer justiça social, não cortar dos mais pobres, mas cortar privilégios, desperdícios e corrupção”, afirmou.
A candidata ao Senado ainda detalhou que “só corrupção e sonegação de impostos são aproximadamente R$ 500 bilhões por ano” que o Brasil perde entre deixar de arrecadar e gastos. “Eu sou a favor do Brasília que tirou milhões de famílias da miséria. As crianças hoje não dormem mais com fome. O reajuste do Bolsa Família está previsto em lei”.
Tebet finalizou sua resposta propondo a reforma tributária: “O Bolsa Família tem que continuar reajustando e, para compensar, nós temos que tirar daqueles que não pagam impostos. A gente tem que combater os supersalários, entrar com a reforma de aposentadoria dos militares, diminuir as emendas parlamentares e, com isso, os problemas do Brasil, e de São Paulo, caberão dentro do orçamento brasileiro”.