CGU encontra só sete visualizações em dez aulas de projeto bancado por emenda de Frias

Página inicial da plataforma Jovens Empreendedores
Página inicial da plataforma Jovens Empreendedores. Foto: Reprodução

Dez videoaulas de um projeto financiado com emenda de R$ 1 milhão do deputado federal Mário Frias (PL-SP) acumulavam, juntas, apenas sete visualizações quando foram examinadas pela Controladoria-Geral da União (CGU). A constatação aparece nos relatórios reproduzidos na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou buscas na investigação sobre recursos públicos e entidades ligadas ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.

O programa de empreendedorismo era executado pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A proposta previa capacitar 250 multiplicadores e atender 2.250 estudantes. Dentro desse projeto, o Instituto Super Poder Educacional, conhecido como Super Leitores, foi contratado por R$ 300 mil para a etapa de material digital e licenças de acesso.

Na verificação por amostragem realizada em 1º de julho de 2026, seis dos dez vídeos examinados não tinham nenhuma visualização. Três registravam um acesso cada, e o outro somava quatro. A auditoria considerou os números incompatíveis com as metas de atendimento previstas no acordo.

O material também foi disponibilizado fora do prazo. A vigência do convênio terminou em 11 de janeiro de 2026, mas o domínio da plataforma só foi registrado em 1º de março, 49 dias depois. Segundo a CGU, as videoaulas entraram no ar em 31 de maio.

Mário Frias
O deputdo federal, Mário Frias (PL-SP). Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Em parecer de 9 de julho, o ministério concluiu pela rejeição das contas diante do descumprimento do objeto pactuado. O ICB foi notificado para apresentar defesa e documentos complementares. Ao explicar o valor da contratação digital, superior aos orçamentos apresentados inicialmente, o instituto alegou que o serviço havia sido ampliado para incluir a produção e a gravação de 24 videoaulas autorais.

O ICB é presidido por Karina Ferreira da Gama, também sócia da Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”. Ela e Frias foram alvos de buscas autorizadas por Dino na quinta-feira (10). A PF investiga suspeitas de irregularidades na aplicação de emendas e na circulação de dinheiro entre os envolvidos.

Em outra frente da apuração, a PF identificou uma transferência de R$ 750 mil da NTT Brasil à Go Up. Seu sócio, Heric Fabiano Dias, é irmão de Pamella Cristiane Dias, sócia-administradora do Super Leitores. A corporação ressalvou, porém, que ainda não dispõe de elementos para afirmar que esse repasse teve origem direta nos recursos recebidos do ICB.

Frias negou irregularidades e classificou a operação como “cortina de fumaça”. O deputado afirmou que apresentará documentos para esclarecer a destinação das emendas e contestou as suspeitas levantadas pelos investigadores.

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