
As candidatas do PT Bella Gonçalves, Ana Elisa Silva e Andréia de Jesus registraram boletins de ocorrência por ameaças de morte e estupro em Minas Gerais, em um intervalo de uma semana. As denúncias chegaram à Polícia Federal e ao Ministério Público Eleitoral, que apuram possível violência política de gênero durante a campanha de 2026.
Bella e Ana Silva disputam vagas na Câmara dos Deputados, enquanto Andréia, deputada estadual, busca a reeleição. As ocorrências foram registradas entre os dias 5 e 11 de setembro, após o recebimento de mensagens por e-mail.
Nas ameaças, o autor se identificou como integrante de um grupo supremacista branco e apresentou dados pessoais das candidatas e de familiares. As três avaliam que os ataques podem ter sido sincronizados e articulados em fóruns anônimos na internet, inclusive em ambientes da deep web.
Deputada estadual, Bella afirmou que a circulação de informações pessoais entre grupos de ódio agrava a situação. “O fato de haver nossos dados pessoais circulando entre grupos de ódio na internet é muito grave”, disse. Ela relatou que os ataques consomem recursos das campanhas com proteção e segurança e causam danos psicológicos.

PF, Ministério Público Eleitoral e TRE acompanham denúncias
O comitê central da campanha de Bella, em Belo Horizonte, também sofreu vandalismo na madrugada de 8 de setembro. A equipe informou que uma placa da candidatura foi arrancada, e a parlamentar registrou outra ocorrência no dia seguinte.
Andréia disse que recebeu ameaças entre 1º e 11 de setembro e classificou os episódios como “tentativas de intimidar e silenciar nossos corpos, nossas vozes, nossa presença”. A deputada afirma ter sofrido mais de 4 mil ameaças e ataques racistas desde que assumiu o mandato, em 2018.
A equipe de Ana Elisa, estreante na política, declarou que “ameaçar uma mulher para tentar fazê-la desistir de uma eleição é crime contra ela e contra o direito de quem quer votar nela”. O Ministério Público Eleitoral afirmou que atua de forma integrada com a PF para identificar responsáveis, coibir intimidações e proteger o processo eleitoral; a PF não comenta investigações em andamento.
O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais informou que o Gabinete Integrado de Segurança das Eleições acompanha os casos. Dados da Procuradoria-Geral da República registram 427 ocorrências de violência política de gênero no país entre 2022 e agosto de 2026; Minas ocupa o quarto lugar, com 39 casos, e as denúncias de setembro ainda não entraram no levantamento.