
Celita Toledo, candidata a deputada federal pelo Republicanos no Rio de Janeiro, é dona de unidades do grupo de saúde que leva seu nome, investigado após três mortes de pacientes e denúncias de complicações em cirurgias plásticas. A candidatura também recebeu uma doação de R$ 20 mil de um cirurgião afastado cautelarmente depois de um procedimento em uma paciente que morreu. As informações foram publicadas por O Globo.
O doador é José Adrian Bermudez Bohorquez. Segundo os dados da prestação de contas à Justiça Eleitoral citados pelo jornal, os R$ 20 mil correspondem a 19,46% dos recursos recebidos pela campanha naquele levantamento. A direção nacional do Republicanos destinou cerca de R$ 62 mil à candidatura, e a direção estadual repassou outros R$ 19 mil.
Bohorquez é citado na investigação sobre a morte de Jéssica Conceição da Cruz, de 34 anos. Ela pagou R$ 12,8 mil por um conjunto de procedimentos que incluía remodelamento costal, lipoaspiração e abdominoplastia. Após receber alta, apresentou dores e febre, foi reinternada e permaneceu cerca de dois meses hospitalizada antes de morrer.
Em um documento consta que o médico foi afastado das atividades após a identificação de perfurações intestinais na paciente depois da lipoaspiração. O termo, assinado pelo profissional, descreve o afastamento como administrativo, cautelar e preventivo e informa a abertura de sindicâncias internas para apurar as circunstâncias.

A Delegacia do Consumidor, da Polícia Civil do Rio de Janeiro, também investiga a morte de Isabely Viana, de 42 anos. Ela sofreu uma parada cardiorrespiratória durante uma abdominoplastia realizada em 12 de junho e morreu cinco dias depois. Além dos três óbitos, 24 mulheres procuraram a delegacia com relatos de deformações, necrose e outras complicações após procedimentos.
Em sua primeira disputa eleitoral, Celita declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 21,2 milhões, concentrado principalmente em participações societárias. As unidades do grupo em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, têm funções diferentes, incluindo consultas, cirurgias e internações em terapia intensiva.
A defesa da candidata afirmou, em nota, que “não cabe antecipar conclusões ou atribuir responsabilidades antes da conclusão das investigações”. Também declarou respeito às autoridades e às pessoas envolvidas e compromisso com o esclarecimento dos fatos. O Globo informou que não conseguiu localizar o contato do cirurgião.
Segundo a Polícia Civil, os inquéritos estão em fase de finalização e, até a publicação da reportagem, ninguém havia sido indiciado. A investigação busca esclarecer a relação entre os procedimentos e as mortes, além da responsabilidade dos envolvidos nos casos.