Campanha de Flávio Bolsonaro ataca fim da 6×1 e defende “trabalhar o quanto quiser”

Daniella Marques Flávio Bolsonaro
O candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL), e a coordenadora da campanha, Daniella Marques. Foto: Reprodução/Redes Sociais

A coordenadora do núcleo econômico da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, voltou a atacar o fim da escala 6×1 e afirmou que o trabalhador deveria ter liberdade para trabalhar “o quanto ele quiser”. A declaração foi dada nesta sexta-feira (21), durante o Fórum Empresarial Lide, no Rio de Janeiro, e explicita a posição da equipe do candidato sobre uma das principais pautas trabalhistas da eleição.

“É um debate populista e inócuo na realidade atual das famílias brasileiras”, afirmou a ex-presidente da Caixa. Daniella disse ainda que seria uma “ficção” apresentar a redução da jornada como uma concessão ao trabalhador diante dos custos que, segundo ela, seriam impostos às empresas. Para a economista, “deveria ter todas as jornadas permitidas”, com patrões e empregados definindo diretamente seus contratos.

A posição não surgiu agora. Em entrevista publicada pela Veja em julho, Daniella foi questionada diretamente sobre por que a campanha de Flávio é contra o fim da escala 6×1. Ela respondeu que a proposta seria “uma ilusão” e “uma agenda oportunista, em ano de eleição”, e voltou a defender que empresas e trabalhadores estabeleçam sua relação de trabalho com maior liberdade.

O próprio Flávio já se manifestou no mesmo sentido. Em maio, o senador classificou o debate sobre o fim da 6×1 como “inoportuno e eleitoreiro” e apresentou como alternativa um sistema de remuneração por hora trabalhada. A proposta manteria FGTS, INSS, férias e 13º salário de maneira proporcional ao número de horas. “Quem quer trabalhar mais ganha mais”, afirmou sua equipe na ocasião.

A campanha também passou a defender institucionalmente uma “jornada de trabalho flexível”. Rogério Marinho (PL-RN), um dos coordenadores de Flávio e líder da oposição no Senado, afirmou em agosto que o grupo não havia mudado de posição e defendeu “liberdade de negociação” e a prevalência do negociado sobre o legislado. Marinho também tenta deixar para depois das eleições a votação da proposta que acaba com a 6×1.

A PEC aprovada pela Câmara reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salário, e estabelece cinco dias de trabalho e dois de descanso. O texto chegou nesta sexta à Comissão de Constituição e Justiça do Senado e terá como relator Omar Aziz (PSD-AM). A expectativa é de tentativa de votação durante o esforço concentrado do Congresso entre o fim de agosto e o início de setembro.

A resistência da campanha de Flávio ocorre apesar do amplo apoio popular à mudança. Pesquisa Datafolha realizada em março mostrou que 71% dos brasileiros defendem a redução do número máximo de dias trabalhados por semana, contra 27% que preferem manter o modelo atual. Entre eleitores que votaram em Jair Bolsonaro no segundo turno de 2022, 55% também apoiavam o fim da 6×1.

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