
Setores da Faria Lima começaram a marcar jantares para ouvir Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a partir do fim de agosto, num movimento que contrasta com a resistência demonstrada pelo mercado financeiro à candidatura do senador nas últimas semanas. A informação foi divulgada neste sábado (22) pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo.
A abertura de novas agendas ocorre menos de um mês depois de gestores, economistas e executivos da região financeira de São Paulo demonstrarem forte rejeição a Flávio. Naquele momento, a avaliação predominante entre os entrevistados era de que sua saída permitiria o crescimento de alternativas como Ronaldo Caiado (PSD), enquanto Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) também despertavam interesse.
A resistência continuava no início de agosto. No dia 7, o SBT News informou que integrantes do mercado estavam frustrados com a condução da campanha e classificavam a escolha de Alfredo Gaspar (PL-AL) para vice como um “balde de água fria”. O veículo apontava que Flávio enfrentava dificuldades para conquistar apoio no principal centro financeiro de São Paulo.
A campanha respondeu com uma ofensiva de aproximação comandada principalmente por Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e coordenadora da área econômica. Ela programou cerca de 25 reuniões com representantes de bancos, indústria e institutos liberais e passou por XP, Itaú, BTG e instituições estrangeiras. O objetivo declarado nos encontros era apresentar o programa econômico e reduzir a desconfiança em relação à candidatura.

Flávio também ampliou a equipe responsável por formular seu programa. Nos últimos dias, incorporou nomes como o ex-ministro Adolfo Sachsida, o economista Adriano Pires e o advogado Alexandre Chequer, além de Carolina Ragazzi, ex-vice-presidente do Goldman Sachs no Brasil. Daniella permanece à frente do núcleo econômico, embora o candidato ainda não tenha indicado quem comandaria a área econômica em um eventual governo.
A nova rodada de convites acontece também em um momento de disputa eleitoral mais apertada. O Datafolha divulgado nesta sexta-feira (21) mostrou Lula (PT) com 39% e Flávio com 33% no primeiro turno. A distância caiu quatro pontos desde junho. Em uma eventual segunda rodada, o presidente aparece com 47%, contra 43% do senador.
Os jantares, porém, não significam que o mercado tenha aderido à candidatura de Flávio. Até o momento, não foram divulgados os anfitriões nem compromissos de apoio relacionados aos encontros.