
O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) criticou nesta segunda-feira (28) o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após o adversário acusar integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de ajudarem a espalhar uma informação falsa envolvendo Nossa Senhora Aparecida. Para o ex-governador de Goiás, as explicações de Flávio têm ampliado a crise.
“Agora, está acusando a CNBB de ser conivente com a polêmica envolvendo Nossa Senhora. Flávio, que Deus acalme seu coração. Tenha respeito pelas religiões e pela fé do povo brasileiro!”, escreveu Caiado no X. Na mesma publicação, ele afirmou que “quanto mais Flávio tenta se explicar, mais ele complica”.
A crítica ocorreu um dia depois de Flávio atribuir a pessoas ligadas à CNBB participação na disseminação de publicações segundo as quais ele e sua família pretendiam retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.
Após uma carreata em Goiânia, no domingo (27), o senador acusou o PT de tentar impulsionar a informação e disse que houve participação de integrantes da entidade católica.
“O PT, eu sei hoje, já estava havia alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com a ajuda de gente de dentro da CNBB, infelizmente essa realidade”, disse Flávio. O candidato não apresentou, na declaração, nomes ou provas que demonstrassem o envolvimento de membros da conferência.
“Fake News sobre Nossa Senhora teve ajuda de gente de dentro da CNBB”, diz Flávio Bolsonaro pic.twitter.com/cXcHll1eEI
— Sam Pancher (@SamPancher) September 27, 2026
A CNBB reagiu ainda no domingo e negou qualquer participação na produção ou disseminação do conteúdo. “A CNBB não produziu, autorizou ou participou da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao atual processo eleitoral”, afirmou a instituição.
A conferência também ressaltou que não integra estruturas de partidos ou candidaturas e afirmou que acusações sem fatos ou provas atingem injustamente a entidade. Ao final da nota, declarou: “A mentira não se combate com outra mentira”.
A controvérsia começou após circularem nas redes sociais publicações atribuindo a Flávio a intenção de retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. O senador nega que tenha qualquer plano nesse sentido.
Parte da discussão remete a um projeto apresentado em 2007 pelo então deputado Victório Galli (PP-MT), que buscava modificar a legislação relacionada à padroeira. A proposta foi arquivada e não foi apresentada por Flávio Bolsonaro.
A polêmica também ganhou repercussão por causa de declarações antigas do pastor JB Carvalho, ligado a Flávio. No livro “A Bomba”, publicado em 2001, Carvalho critica a legislação que reconhece Nossa Senhora Aparecida como padroeira. “A lei que estabelece Aparecida como padroeira no Brasil é ilegal”, escreveu.
Em outro trecho, o pastor defende o fim da referência à santa como padroeira: “Já que o Brasil por lei não é mais um país católico, está na hora de destronarmos a Rainha em nossa nação e servir ao Deus verdadeiro”.