
As bets retiveram R$ 37 bilhões dos R$ 220 bilhões depositados por apostadores em 2025, segundo estimativas do setor. A legislação em vigor desde 2025 determina que as plataformas destinem 85% do valor apostado a prêmios e bônus, enquanto até 15% permanecem com as empresas. Com informações de Estadao.
Do total movimentado no ano, R$ 183 bilhões retornaram aos usuários como prêmios. O cálculo considera os depósitos feitos para apostas esportivas e jogos online, incluindo modalidades de cassino que ganharam popularidade no país, como o chamado jogo do tigrinho.
As empresas afirmam que usam parte da receita retida para pagar a tributação incidente sobre o faturamento e os impostos cobrados de companhias que operam no Brasil. O setor sustenta que uma eventual proibição isolada dos jogos de cassino online, com manutenção das apostas esportivas, afetaria a viabilidade financeira das operações.
A publicidade também absorve uma parcela desses recursos. As maiores marcas de apostas investiram R$ 3,1 bilhões em mídia em 2025, conforme dados do Ibope Advertising Intelligence e do Meio & Mensagem, enquanto os patrocínios anunciados pelos principais clubes brasileiros somam mais de R$ 1,1 bilhão por ano.

Saída de recursos das famílias e impacto no consumo
O Centro Celso Furtado estimou em R$ 62,5 bilhões a transferência líquida das famílias para as plataformas de apostas em 2025, já descontados os valores devolvidos aos jogadores. Entre outubro de 2024 e março de 2026, a média mensal dessa saída chegou a R$ 4,7 bilhões, segundo o estudo.
Para o economista Carlos Honorato, professor da FIA Business School, parte relevante desses valores deixa a economia brasileira porque várias bets que atuam no país pertencem a grupos estrangeiros. “Esse dinheiro, que deveria ficar no mercado para fazer a economia funcionar e para pagar as dívidas, tem sido enviado para o exterior”, afirmou.
A regulamentação exige que as plataformas autorizadas mantenham empresa sediada no Brasil e diretores estatutários domiciliados no país. Mesmo assim, grupos do setor podem ter estruturas societárias no exterior, inclusive em jurisdições de baixa tributação, como Ilhas Cayman e Seicheles.
Alberto Serrentino, fundador da consultoria Varese Retail, afirmou que mecanismos de gamificação estimulam novos gastos de usuários que receberam prêmios ou buscam renda extra. Para ele, o efeito aparece sobretudo no consumo não essencial e pode aprofundar o endividamento das famílias.
As regras para empresas legalizadas incluem biometria facial, bloqueio ao acesso de menores de idade, proibição de cartão de crédito e depósitos por Pix ou conta bancária vinculada ao CPF do apostador. Plataformas clandestinas não seguem essas exigências e podem enviar integralmente os recursos ao exterior.
Carlos Lima, presidente-executivo do Instituto Brasileiro do Jogo Responsável, estima que o mercado ilegal movimente R$ 43,3 bilhões. Plínio Lemos Jorge, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias, afirmou que há estimativa de 355 endereços irregulares para cada plataforma autorizada e que, entre junho e agosto, surgiram em média 13,7 novos domínios ilegais por dia.