Banco de Edir Macedo aplicou R$ 271 milhões em papéis podres iguais ao Master

Bispo Edir Macedo de terno e gravata durante visita ao Templo de Salomão
Bispo Edir Macedo usa terno escuro, camisa branca e gravata vermelha durante visita ao Templo de Salomão. Foto: Reprodução

O Digimais, banco controlado pelo grupo Record, de Edir Macedo, aplicou R$ 271,4 milhões em cártulas do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc) por meio do Fundo Betel. Os documentos físicos, que o Tesouro Nacional classifica como itens de valor apenas histórico, aparecem em operações semelhantes às atribuídas ao Banco Master.

Dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) enviados à CPI do Crime Organizado do Senado indicavam que o Digimais era o único cotista do Betel até janeiro deste ano. Todo o patrimônio do fundo, de R$ 271,4 milhões, estava concentrado nos papéis do Besc.

O valor equivale a 82% do patrimônio líquido do Digimais, que alcançava R$ 331 milhões no último balanço disponível. O Fundo Betel não consta no balanço da instituição nem na relação de seu conglomerado prudencial apresentada ao Banco Central.

O banco afirmou que o Betel deixou seu portfólio em outubro de 2025. A instituição manteve a versão após ser questionada sobre a divergência com os dados enviados pela CVM ao Senado e não informou o valor recebido por eventuais cotas vendidas.

O Banco Digimais. Foto: reprodução

Fundo Betel comprou cártulas de fundos ligados à Reag

O fundo nasceu em 24 de abril de 2025 com o nome PNG International Bank. Em 26 de junho daquele ano, o Digimais comprou todas as cotas de uma emissão e o fundo passou a se chamar Betel; a aplicação em cártulas já constava nas informações de julho de 2025 e permaneceu nos dados de agosto deste ano.

O Betel adquiriu os papéis dos fundos SDG II e BB Claim. Ambos integram uma cadeia de fundos cujos proprietários finais são filhos de João Carlos Mansur, dono da Reag, gestora liquidada pelo Banco Central em janeiro sob acusação de descumprir normas do sistema financeiro.

O SDG II também foi usado pelo Banco Master para ocultar R$ 5,4 bilhões em empréstimos, conforme as investigações sobre a instituição de Daniel Vorcaro. No caso do Master, os valores declarados em cártulas do Besc superavam R$ 850 milhões, embora os papéis não tenham valor relevante no mercado.

A Polícia Federal investiga o Digimais por suspeitas de manipulação de relatórios financeiros, gestão fraudulenta e operações de crédito proibidas por lei. O banco divulgou prejuízo de R$ 581,4 milhões no primeiro semestre, e investigadores apuram estratégias que teriam elevado artificialmente o patrimônio da instituição para ampliar sua capacidade de captar recursos.

Artigo Anterior

Lula anuncia canetas emagrecedoras pelo Sus em sua passagem por Montes Claros

Próximo Artigo

Um terço dos candidatos são milionários, diz levantamento

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!