As pesquisas mostram que dá pra virar. Por Moisés Mendes

Lula em evento político
Lula e Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução

O povo retornou às ruas e o governo aprovou o fim da escala 6X1 e voltou a renegociar as dívidas dos pobres e da classe média. Descobrimos que Flávio Bolsonaro era usuário preferencial, como sócio cotista, de um avião de Vorcaro. E a Polícia Federal continua prendendo gente da extrema direita.

Nesse ambiente, as pesquisas nos dizem que a situação se alterou um pouco em favor de Lula, como informou o Datafolha desta quinta-feira, com Flávio ainda à frente, com 51%, e Lula agora com 49%% dos votos válidos. Os mesmos números da pesquisa Quaest.

As duas amostras indicam que é possível virar, considerando-se que, em relação à pesquisa da semana passada do Datafolha (52% a 48%), Lula reduziu a diferença em dois pontos. Parece muito e ao mesmo tempo não parece tanto, diante das expectativas criadas nos últimos dias.

Os menos otimistas se perguntam: se as pautas positivas pró-Lula e os episódios negativos contra Flávio, que se repetem diariamente, não provocam grandes mudanças, o que poderia alterar esse cenário em pouco mais de uma semana até a eleição?

O que teremos nos próximos dias? O debate na Bandeirantes e a manifestação do bolsonarismo na Paulista no domingo e certamente mais revelações sobre as mulheres que Vorcaro contratava para conquistar aliados. Se tivermos novas informações de que Flávio seria sócio de Trump em um resort de Miami, mudaria o quê?

Daniel Vorcaro. Foto: Ana Paula Paiva/Agência O Globo

O otimismo militante fala de virada, porque uma eleição vive disso, e as esquerdas precisam sobreviver também de gestos heroicos. Se Lula foi cassado e encarcerado por 580 dias, se saiu da prisão para vencer Bolsonaro, se os golpistas foram condenados e presos, por que agora o roteiro seria diferente, se o mocinho é Lula?

Só Lula, por seu histórico, poderia produzir o milagre de uma virada inédita, nessas circunstâncias, mas é preciso ajudá-lo, porque André Janones não pode tudo sozinho. Os jovens voltaram à ativa, os velhinhos prometem ir votar, o bolsonarismo não sai de casa e a Polícia Federal pode produzir ações de impacto nos próximos dias.

Tudo isso em uma semana a contar do sábado. Nós sabemos o que é possível fazer em uma semana em Roma, no deserto do Atacama ou na Patagônia. Mas o que podemos fazer em uma semana no Brasil para impedir que a extrema direita retorne ao poder, com armas, métodos e ódios amplificados?

Fazer militância nas ruas e nas redes, e cada vez mais nas redes. Lula, a democracia e todos nós dependemos de um ativismo que não se viu no primeiro turno e que se reapresenta depois de tanto tempo, desde a semana passada, como certeza da possibilidade de virada.

Uma semana é um tempo bíblico, desde a criação do mundo. É o que teremos para fazer o que pode ser feito para a virada. Não é um desafio para quem tem apenas fé, mas capacidade de luta em todas as frentes. Uma semana é o que nos resta.

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