
Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro detalham contatos do presidente do União Brasil, Antônio Rueda, e do vice-presidente da sigla, ACM Neto, durante a busca do Banco Master por recursos de institutos de previdência de servidores. A PF chegou a pedir buscas em endereços ligados aos dois dirigentes, mas o Supremo Tribunal Federal não autorizou a medida. Com informações de Fábio Serapião, no UOL.
Vorcaro afirmou, em uma proposta de delação premiada rejeitada pela PF e pela Procuradoria-Geral da República, que Rueda e ACM Neto atuaram em favor do Master em troca de 10% dos valores aplicados por fundos estaduais. As conversas não registram pagamento de comissão diretamente aos dois políticos.
O Master repassou R$ 6,4 milhões a escritórios de advocacia de Rueda e R$ 5,4 milhões a uma empresa de consultoria de ACM Neto. Rueda afirmou que a relação com o banco era “eminentemente profissional” e que os serviços advocatícios tiveram notas fiscais e recolhimento de impostos.

As conversas entre Rueda e Vorcaro começaram em novembro de 2023. Naquele mês, Fernando Mascarenhas, diretor comercial do Master, tratou de uma viagem com o dirigente partidário a Rondônia e ao Amazonas, feita no jato do banqueiro e com reuniões previstas para captação junto a institutos de previdência.
Mensagens citam operação de R$ 400 milhões no Amapá

Em abril de 2024, Mascarenhas escreveu a Vorcaro: “Amapá, confirmado 400”, em referência a uma aplicação de R$ 400 milhões. Quando a aprovação avançou, em 12 de julho, o tesoureiro Alberto Felix informou ao banqueiro que “o Rueda que disse que ia segurar as operações”.
Naquele dia, Rueda apagou dez mensagens seguidas na conversa e enviou a Vorcaro: “Apaga essas mensagens”. Cerca de uma hora depois, Mascarenhas comunicou a aprovação de R$ 200 milhões no Amapá. A Amapá Previdência transferiu R$ 300 milhões ao Master até 1º de agosto.

O setor de tesouraria do banco registrou uma comissão ligada à operação: “Pagamos 11 mm contas a pagar, comissão Amapá”. A consultoria atribuída a Ricardo Siqueira Rodrigues, conhecido como Ricardo Gordo e apontado pela PF como lobista de Vorcaro no Rioprevidência, praticava comissão de 10% com o Master.
ACM Neto também aparece nas conversas com Vorcaro. Após uma reunião entre os três em São Paulo, o ex-prefeito de Salvador escreveu que “as coisas em Brasília estão consolidadas e, felizmente, saiu tudo como desejávamos na política”. Ele negou ter interferido em decisões do Ministério da Previdência ou atuado para institutos aplicarem recursos no banco.

A Operação Compliance Zero apura suspeitas de fraudes envolvendo o Master e alcançou órgãos de previdência do Rio de Janeiro, Amapá e Amazonas. A investigação aponta que o Rioprevidência destinou cerca de R$ 2 bilhões ao banco; no Amapá, um comitê aprovou aporte de R$ 400 milhões, e, no Amazonas, houve autorização para R$ 50 milhões.