
Em março de 2025, Daniel Vorcaro ficou sabendo que Messi não jogaria mais pela seleção argentina. Foi informado por um primo. Sua família no Brasil ainda tem laços com os Vorcaro de Rosário, a terra de Messi.
É um dos ramos dos colonos que se dividiram ao deixar Cosenza, na Calábria, no sul da Itália, rumo à América do Sul. Este ramo, de uns Vorcaros que sempre ficaram pobres, foi parar na Argentina.
Pois assim Vorcaro já sabia o que o mundo só ficaria sabendo agora, em agosto, quando Messi anunciou oficialmente que deixaria a seleção. E saiu a avisar os amigos, ostentando o privilégio da primazia de uma notícia importante.
Um dia, contou a novidade ao amigo e advogado Ciro Soares. O advogado respondeu empolgado: você precisa contar para o Mendonça.
Foi por isso que, uma semana depois, Soares mandou um áudio para Vorcaro, no qual dizia que acompanharia o ministro amigo, que iria tirar medidas para um terno. O alfaiate era Vasco Vasconcellos.
Nessa ida ao alfaiate, falou de Messi. Soares combinou, naquele dia, que Mendonça e Vorcaro se encontrariam, porque todos eles gostavam de curiosidades do futebol. Como essa de que Messi iria deixar a seleção. Todos tinham álbuns de figurinhas da Copa.
O encontro aconteceu em São Paulo, no Iter, o instituto de André Mendonça. Ficaram duas horas conversando e comendo cueca virada com Coca zero. Vorcaro falou do braço argentino da família e contou detalhes da decisão de Messi.
Durante duas horas, só falaram de Messi e de futebol. O Master de Vorcaro já estava quebrado há muito tempo, e as notícias ruins apareciam nas capas dos jornais.
A reunião secreta, porque ninguém fora do círculo de Vorcaro poderia ficar sabendo da decisão de Messi, foi no dia 14 de março, quando até os estagiários das fintechs do PCC na Faria Lima sabiam que em pouco tempo o Master seria pulverizado.
No dia 28 de março, 14 dias depois da reunião de Vorcaro e Mendonça, o conselho de administração do BRB, o Banco de Brasília, avisou o mercado que tinha interesse na compra do banco quebrado.
Mas em novembro de 2025 o Banco Central informou que o Master não tinha salvação, e a negociata com o BRB não avançou. Foi anunciada então a liquidação de um banco que Vorcaro havia transformado numa imensa pirâmide.

Dentro do BC, todo mundo desconfiava que dois diretores indicados por Bolsonaro, e deixados ali pela gestão de Roberto Campos Neto, trabalhavam para Vorcaro.
Eram Paulo Sérgio Neves de Souza, da diretoria de Fiscalização, e Belline Santana, da Supervisão Bancária. Todos no Banco Central sabiam que eles eram suspeitos e agiam nas barbas de Campos Neto, mesmo que este não tivesse barba.
Acontecia tudo isso em Brasília, com o Master quebrando, o BRB sendo convocado pela direita e pelos amigos de Vorcaro a entrar numa maracutaia, os diretores do BC passando informações para Vorcaro, e os dois, Vorcaro e Mendonça, falando de Messi em São Paulo durante duas horas.
O mundo desabava sobre a cabeça do banqueiro, que passou a ser conhecido publicamente já como mafioso, e ele e Mendonça tratavam do afastamento de Messi da seleção, quando falaram também, muito por cima, sobre os italianos argentinos que aparecem no Brasil no verão.
E assim foi. Vorcaro acabou preso, não houve como salvar o banco, as conexões e os dinheiros do banqueiro para Flávio e Eduardo Bolsonaro foram descobertos e um dia Mendonça decidiu que, a partir das suspeitas e indícios, era preciso dar corda à PF para que aprofundasse as investigações em torno de Alexandre de Moraes.
Mas aquela reunião secreta do dia 14 de março de 2025 foi o que se sabe. Um encontro de duas horas, que poderia ter se estendido por três ou quatro, sobre o fim da carreira de Messi na seleção.
Tudo o mais que se diz daquela reunião é especulação. Naquele dia, o assunto foi Messi. E Mendonça apenas ouviu, como está dito e repetido nos esclarecimentos da assessoria do ministro.
Mendonça ouvia e ria, às vezes gargalhava, porque Vorcaro é um cara muito engraçado. Mas nada falava. Nem sobre o terno que havia encomendado ao alfaiate Vasco Vasconcellos.
Quem disser que essa versão é absurda finge não saber no que viraram os absurdos no Brasil. Tem até uma versão de que a pauta teria sido a confusão dos precatórios do Master, mas essa é mais absurda.
Foi o que aconteceu. Nem Vorcaro nem Mendonça chegaram a uma conclusão sobre o sucessor de Messi na seleção argentina, até porque só Vorcaro falava, enquanto Mendonça só ouvia. Durante duas horas, Mendonça só ouviu.