Após queixas da comunidade judaica, gestão Nunes quer apagar painel ‘Palestina Livre’ em SP

Mural Palestina Livre em prédio na rua da Consolação, em São Paulo
Mural “Palestina Livre” ocupa empena cega de edifício na rua da Consolação, perto da avenida Paulista. Foto: Danilo Verpa/Folhapress

A Prefeitura de São Paulo vai apurar se o proprietário de um edifício na rua da Consolação autorizou o mural “Palestina Livre”, pintado pelo artista Kleber Pagu em uma empena cega perto da avenida Paulista. Se concluir que não houve consentimento, a administração poderá considerar irregular a obra e determinar sua retirada. Com informações de Folha de S.Paulo.

A Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), órgão da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) responsável por fiscalizar a Lei Cidade Limpa, pediu à Subprefeitura da Sé que localize o dono do imóvel e faça a verificação. Até a publicação da informação, a prefeitura não havia confirmado a identificação do proprietário.

A vereadora Cris Monteiro (Novo) levou o pedido de averiguação à reunião ordinária da CPPU na quarta-feira (7). Ela apresentou um abaixo-assinado com mais de 11 mil assinaturas que pede a remoção do painel por pessoas que consideram a mensagem ofensiva.

Além da exigência de autorização do proprietário, a discussão envolve as regras municipais para intervenções artísticas, que vedam conteúdo ofensivo a grupos religiosos, étnicos e culturais. Integrantes da comunidade judaica criticam o painel desde que ele foi pintado, em 2024.

Ocupação diz que moradores autorizaram a pintura

O produtor e ativista, Kleber Pagú. Foto: Reprodução/Seis3filmes

O prédio abriga famílias em situação de vulnerabilidade na ocupação Penha Pietra’s, ligada à Frente de Luta por Moradia (FLM). Uma liderança da ocupação afirmou que os moradores autorizaram Kleber Pagu a pintar a parede; antes, o imóvel funcionava como hotel e encerrou as atividades durante a pandemia.

Quando criou a obra, o artista incluiu na parte inferior a frase “Do rio ao mar”. Após protestos, Pagu retirou a expressão e a substituiu por “genocídios nunca mais”. O lema anterior é interpretado por simpatizantes da causa palestina como defesa de direitos iguais, enquanto entidades judaicas o associam à defesa do fim de Israel.

Pagu disse que o trabalho defende a convivência e classificou a pintura como “um pedido de paz, de humanidade, um gesto de indignação e esperança”. A alteração foi solicitada pela ex-diretora-executiva do Instituto Brasil-Israel Manoela Miklos, que afirmou ter recebido abertura do artista.

Miklos declarou que há posições distintas dentro da comunidade judaica e disse que parte de seus integrantes não vê problema no mural. “A comunidade judaica é diversa. Há quem se incomode com o mural, mas há também aqueles, e não são poucos, que não veem problema algum e que, assim como eu, querem uma Palestina livre e estados vizinhos trabalhando para uma paz duradoura.”

Ricardo Berkiensztat, presidente-executivo da Federação Israelita do Estado de São Paulo, contestou a permanência do painel após a inclusão da palavra “genocídios”. Ele afirmou que a obra provoca a comunidade judaica e citou os 1.200 israelenses mortos pelo Hamas no ataque terrorista de 7 de outubro de 2023.

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