
A Prefeitura de São Paulo vai apurar se o proprietário de um edifício na rua da Consolação autorizou o mural “Palestina Livre”, pintado pelo artista Kleber Pagu em uma empena cega perto da avenida Paulista. Se concluir que não houve consentimento, a administração poderá considerar irregular a obra e determinar sua retirada. Com informações de Folha de S.Paulo.
A Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU), órgão da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) responsável por fiscalizar a Lei Cidade Limpa, pediu à Subprefeitura da Sé que localize o dono do imóvel e faça a verificação. Até a publicação da informação, a prefeitura não havia confirmado a identificação do proprietário.
A vereadora Cris Monteiro (Novo) levou o pedido de averiguação à reunião ordinária da CPPU na quarta-feira (7). Ela apresentou um abaixo-assinado com mais de 11 mil assinaturas que pede a remoção do painel por pessoas que consideram a mensagem ofensiva.
Além da exigência de autorização do proprietário, a discussão envolve as regras municipais para intervenções artísticas, que vedam conteúdo ofensivo a grupos religiosos, étnicos e culturais. Integrantes da comunidade judaica criticam o painel desde que ele foi pintado, em 2024.
Ocupação diz que moradores autorizaram a pintura

O prédio abriga famílias em situação de vulnerabilidade na ocupação Penha Pietra’s, ligada à Frente de Luta por Moradia (FLM). Uma liderança da ocupação afirmou que os moradores autorizaram Kleber Pagu a pintar a parede; antes, o imóvel funcionava como hotel e encerrou as atividades durante a pandemia.
Quando criou a obra, o artista incluiu na parte inferior a frase “Do rio ao mar”. Após protestos, Pagu retirou a expressão e a substituiu por “genocídios nunca mais”. O lema anterior é interpretado por simpatizantes da causa palestina como defesa de direitos iguais, enquanto entidades judaicas o associam à defesa do fim de Israel.
Pagu disse que o trabalho defende a convivência e classificou a pintura como “um pedido de paz, de humanidade, um gesto de indignação e esperança”. A alteração foi solicitada pela ex-diretora-executiva do Instituto Brasil-Israel Manoela Miklos, que afirmou ter recebido abertura do artista.
Miklos declarou que há posições distintas dentro da comunidade judaica e disse que parte de seus integrantes não vê problema no mural. “A comunidade judaica é diversa. Há quem se incomode com o mural, mas há também aqueles, e não são poucos, que não veem problema algum e que, assim como eu, querem uma Palestina livre e estados vizinhos trabalhando para uma paz duradoura.”
Ricardo Berkiensztat, presidente-executivo da Federação Israelita do Estado de São Paulo, contestou a permanência do painel após a inclusão da palavra “genocídios”. Ele afirmou que a obra provoca a comunidade judaica e citou os 1.200 israelenses mortos pelo Hamas no ataque terrorista de 7 de outubro de 2023.