
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) reagiu nesta quinta-feira (10) ao avanço pela retirada do sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master e voltou a cobrar explicações de Flávio Bolsonaro sobre os milhões enviados por Daniel Vorcaro ao fundo usado no financiamento de “Dark Horse”. “Acabou a blindagem!”, escreveu. Na mesma publicação, questionou: “Flávio, cadê os 70 milhões que você tomou do Vorcaro?”.
O movimento citado pelo petista precisa de uma ressalva: Edson Fachin não retirou pessoalmente, de uma só vez, todo o sigilo das investigações. O presidente do STF pediu a André Mendonça que suspenda o segredo do processo do caso Master e propôs que as informações sejam tornadas públicas, com exceção das diligências cujo sigilo seja estritamente necessário. Como Mendonça é o relator, cabe a ele definir a extensão da abertura dos autos.
A medida ocorre depois de uma ofensiva por maior transparência. Lindbergh e outros parlamentares já haviam pedido ao STF a retirada do sigilo das investigações envolvendo Flávio Bolsonaro e o financiamento de “Dark Horse”. Na quarta-feira (9), o PT voltou a cobrar de Mendonça e Flávio Dino a abertura dos procedimentos relacionados ao Master, após Lula defender publicamente a divulgação integral das investigações, ressalvadas as informações legalmente protegidas.
O FIM DO SIGILO DO CASO MASTER
Na semana passada, pedimos ao presidente Fachin o levantamento do sigilo das investigações. Ontem, o presidente Lula defendeu que tudo viesse a público. Agora, Fachin determinou providências para acabar com o segredo que encobre um dos maiores…
— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) September 11, 2026
Os “70 milhões” mencionados por Lindbergh se referem a aproximadamente R$ 69 milhões em valores da época. Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, afirmou em colaboração premiada ter realizado, a pedido de Vorcaro, sete transferências que somaram US$ 12,3 milhões para o fundo Havengate. O fundo, sediado nos Estados Unidos e administrado por um advogado próximo de Eduardo Bolsonaro, foi usado no financiamento de “Dark Horse”. Não há informação de que esses R$ 69 milhões tenham sido depositados pessoalmente para Flávio Bolsonaro; o que está documentado é sua participação na captação dos recursos junto a Vorcaro.
Flávio Bolsonaro sustenta que os valores obtidos com Vorcaro foram destinados à produção do filme sobre Jair Bolsonaro e nega irregularidades. A controvérsia aumentou depois que documentos mostraram repasses posteriores à data que ele havia indicado publicamente como a do último pagamento. A Polícia Federal ainda investiga o caminho e o destino final de parte dos recursos.
Há ainda outra frente, sob relatoria de Flávio Dino, que investiga suspeitas envolvendo emendas parlamentares e a produtora de “Dark Horse”. Nesta quinta-feira, Dino retirou o sigilo da decisão que autorizou uma nova operação da PF nesse braço do caso. Portanto, caso Master e investigação sobre emendas ligadas ao filme têm pontos de conexão, mas são procedimentos distintos e submetidos a relatores diferentes no Supremo.