A reação do governo Lula ao fechamento de embaixada dos EUA no Brasil

Lula. Foto: Brenno Carvalho

O governo Lula recebeu com preocupação e desconfiança a decisão dos Estados Unidos de suspender serviços consulares na embaixada e nos consulados no Brasil, medida seguida pela Austrália. Integrantes do Palácio do Planalto avaliam o episódio sob a perspectiva da eleição e de alertas sobre possível ingerência externa, segundo a coluna de Janaína Figueiredo no UOL.

A embaixada americana em Brasília relatou ameaças, e o governo brasileiro afirmou que a Polícia Federal deve apurá-las. “Esse é um assunto das forças de segurança”, disse uma fonte do Planalto.

A reação ganhou força porque a suspensão ocorreu no mesmo momento em que vieram a público informações sobre a autorização de US$ 1 milhão do governo americano para um projeto voltado ao Brasil. O jornal britânico The Guardian divulgou o repasse, que fontes do governo associaram a grupos contrários ao Supremo Tribunal Federal.

Uma fonte ouvida afirmou que o conjunto de acontecimentos causa preocupação. “Quando pensamos nesse repasse de US$ 1 milhão para grupos de extrema-direita no Brasil não podemos não relacionar tudo o que está acontecendo. É tudo muito preocupante”, disse.

Donald Trump e Lula. Foto: Reprodução

AGU pede investigação sobre repasse de US$ 1 milhão

O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, pediu investigação após a divulgação do financiamento. Os recursos sairiam do Fundo de Direitos Humanos e Democracia dos EUA para o projeto “Countering Lawfare and Censorship in Brazil”, traduzido como “Combatendo o Lawfare e a Censura no Brasil”.

Messias classificou o repasse como uma potencial interferência externa ilegal na soberania nacional e no processo eleitoral. O pedido à Polícia Federal busca identificar os envolvidos na operação no Brasil e as organizações ou ONGs que receberiam o dinheiro, cujos nomes não constam formalmente dos documentos americanos.

Fontes do Planalto também citaram a preocupação com acordos firmados no âmbito do Escudo das Américas, aliança regional de segurança liderada por Donald Trump. Uma delas considerou as medidas americana e australiana “exageradas e desproporcionais” e disse que nunca havia visto ameaça semelhante perto de uma eleição.

Outra fonte afirmou que o governo deve agir como se a ameaça fosse real, mas não descarta a hipótese de uma tentativa de criar “um tumulto que não existe”. As autoridades mantêm a apuração das ameaças denunciadas pela embaixada enquanto acompanham os riscos de intervenção até a eleição.

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