A ordem do presidente do PT para fortalecer Lula na campanha

Edinho Silva afirmou que foi um erro do PT não assinar a CPI do Banco Master
O presidente do PT, Edinho Silva, durante o aniversário de 46 anos do Partido dos Trabalhadores. Foto: Divulgação/PT Brasil

O PT proibiu a circulação de materiais de campanha de candidatos a deputado federal e estadual que não tragam os números das candidaturas majoritárias apoiadas pelo partido, incluindo a do presidente Lula. A determinação foi aprovada pela Executiva da legenda e comunicada por Edinho Silva, presidente nacional do PT e um dos coordenadores da campanha presidencial, em áudio enviado a dirigentes. Com informações de Bela Megale, do Globo.

Edinho defende que o partido vá além de impedir a distribuição das peças. Segundo ele, candidatos que desrespeitarem a orientação devem ser alvo de ações por infidelidade partidária e ter de devolver ao partido recursos recebidos do fundo eleitoral. No áudio, o dirigente deixa claro que essa é a posição que pretende defender diante de eventuais casos de descumprimento.

A justificativa é que as candidaturas proporcionais devem reproduzir nos materiais a estratégia eleitoral definida coletivamente pelo partido. Para Edinho, as chapas majoritárias aprovadas nos encontros estaduais e na convenção nacional representam a unidade do PT, que precisa aparecer também nas peças usadas nas ruas e nas redes.

Lula
O presidente e candidato a reeleição, Lula (PT). Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert

O dirigente coloca a reeleição de Lula no centro dessa estratégia. “Estamos diante da eleição mais importante das nossas vidas”, afirma no áudio. Segundo Edinho, “não há nada mais importante que a eleição do presidente Lula”, cuja vitória teria, em sua avaliação, repercussão não apenas no Brasil, mas também na América do Sul, na América Latina e no mundo. Ele já havia repetido publicamente a expressão sobre a “eleição mais importante das nossas vidas” em ato realizado na USP na quarta-feira (16).

A determinação ocorre numa campanha em que Edinho integra o núcleo mais próximo das decisões eleitorais do presidente. Nas últimas semanas, Lula concentrou a condução da campanha em um grupo reduzido que inclui o presidente do PT, ao lado de Sidônio Palmeira, Guilherme Boulos e Paulo Okamotto.

No próprio áudio, Edinho admite que a necessidade de aprovar uma regra desse tipo revela dificuldades de unidade dentro do partido. Para ele, o ideal seria que a medida não fosse necessária. A ameaça de cobrança dos recursos e de ações por infidelidade, porém, aparece como proposta para futuros casos de descumprimento; a apuração não registra punição já aplicada com base na nova determinação.

Confira a íntegra do áudio de Edinho Silva:

“Companheiras e companheiros, primeiro quero saudar pela aprovação dessa orientação na executiva do partido, impedindo que materiais circulem sem materializar a nossa ata eleitoral. Ou seja, não podemos divulgar materiais sem que estes contenham as nossas candidaturas majoritárias. Primeiro, porque as candidaturas majoritárias aprovadas nos encontros estaduais e no nosso encontro nacional, na nossa convenção nacional, significam na prática a construção da unidade do PT. A unidade do PT é materializada com a nossa tática eleitoral quando estamos falando de disputas eleitorais, e claro, materializada na nossa prática cotidiana quando construímos as resoluções do nosso partido. Então, não há como ter unidade partidária se não expressamos nos materiais aquilo que aprovamos coletivamente. Esse é o primeiro sentido dessa deliberação da executiva hoje.

A centralidade também dessa aprovação é que estamos diante da eleição mais importante das nossas vidas. A eleição do presidente Lula tem um significado histórico diante da conjuntura e dos desafios colocados no Brasil. Sabemos que a eleição do presidente Lula terá repercussão na América do Sul, América Latina e no mundo. Não há nada mais importante que a eleição do presidente Lula. Não termos essa clareza na confecção dos materiais que vamos divulgar, portanto na disputa política na sociedade, é muito ruim.

Então, essa medida tomada pela executiva de fato demonstra a dificuldade com a nossa unidade. O ideal é que ela não existisse, mas já que existe a necessidade, foi importante essa medida. Quero dizer que, a partir dessa aprovação, se a nossa militância informar a direção do PT sobre a existência de materiais que não traduzam a nossa tática eleitoral, eu penso que temos, e é isso que estou defendendo, que encaminhar ações por infidelidade partidária, pedindo a devolução do fundo eleitoral. Ou seja, quem não cumprir as deliberações coletivas do PT, portanto, não pode ter acesso ao fundo eleitoral e deve devolvê-lo ao partido, já que não está cumprindo aquilo que nós deliberamos coletivamente. Essa é a minha posição e quero deixá-la muito clara.”

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