A Igreja que mais falou sobre política em seus cultos, segundo pesquisa

Pessoas em culto com mãos levantadas e homem envolto em bandeira do Brasil
Fiéis com mãos levantadas em culto religioso; homem ao centro está envolto em uma bandeira do Brasil. Foto: Reprodução

A Assembleia de Deus foi a denominação com maior presença de propaganda eleitoral nas celebrações analisadas por um estudo da More in Common Brasil e do grupo Passagens, da UFRJ. Pedidos de voto, promoção ou ataques a candidaturas apareceram em 8,3% dos cultos assembleianos transmitidos nos dois domingos anteriores ao primeiro turno de 2026, ante 1,4% dos cultos batistas e 0,7% das missas católicas. Com informações de Folha de S.Paulo.

Os pesquisadores acompanharam 7.456 missas e cultos em 25 estados e no Distrito Federal. Foram analisadas 1.785 missas católicas, 3.596 cultos batistas e 2.075 celebrações da Assembleia de Deus. A classificação de propaganda eleitoral incluiu manifestações diretas ou indiretas em favor ou contra candidatos, além de bênçãos a candidaturas ou campos políticos.

Apesar do índice mais elevado entre assembleianos, a propaganda eleitoral foi identificada em apenas 237 transmissões, equivalentes a 3,2% do total. A maior parte das 13.886 horas transcritas não mencionou eleições. O material reuniu canais grandes, como Assembleia de Deus de Pernambuco, Vitória em Cristo, de Silas Malafaia, e Igreja Batista da Lagoinha, além de congregações pequenas com poucos seguidores no YouTube.

Mensagens cívicas, como orientações sobre voto consciente e críticas à polarização sem indicação de candidatos, foram mais frequentes: apareceram em 1.141 transmissões, ou 15,3% do total. Nesse quesito, as missas católicas tiveram o maior índice, de 19,9%, seguidas pelas reuniões assembleianas, com 16,7%, e pelos cultos batistas, com 12,2%.

 

Assembleia de Deus no Belém, São Paulo. Foto: Reprodução

 

Em uma igreja batista de Niterói, no Rio de Janeiro, um pastor defendeu “voto com responsabilidade” e afirmou que a comunhão cristã “não é ideologia” nem “filosofia partidária”. Já em uma missa em São José dos Campos, em São Paulo, o sacerdote recomendou candidatos que respeitassem a vida, o meio ambiente e os direitos dos mais necessitados. Também lembrou que “os partidos passam”, enquanto os fiéis continuam “sentando nos mesmos bancos da igreja”.

O professor da USP e diretor-executivo da More in Common, Pablo Ortellado, afirmou que a ideia de um “voto de cajado” disseminado nas igrejas exagera o alcance das orientações de líderes religiosos. Segundo ele, parte do “mundo letrado” trata os evangélicos com preconceito, como pessoas sem instrução e manipuladas por pastores.

O levantamento também registrou tentativas de contornar a proibição de propaganda eleitoral em templos, como oferta de adesivos para carros e indicação reservada de candidatos. O antropólogo Rodrigo Toniol, da UFRJ, ressaltou que mensagens políticas podem circular nas entradas e saídas dos cultos e em grupos de WhatsApp, espaços que não se limitam às celebrações transmitidas.

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