O criminalista Daniel Bialski já defendeu Michelle Bolsonaro, Cláudio Castro, Onyx Lorenzoni, Milton Ribeiro e Carla Zambelli. É o advogado preferido pelo bolsonarismo. Ele foi contratado por Vorcaro para reabrir as chances de uma delação premiada.
Em meados de agosto, Bialski realizou uma reunião oficial com o ministro André Mendonça. No mesmo horário em que Vorcaro tinha uma oitiva agendada com a Polícia Federal, a administração da Papudinha — o presídio onde ele se encontra — armou uma arapuca: informou falsamente à PF que o sistema de transmissão não estava funcionando. Simultaneamente, foi prestado depoimento a João Azambuja, juiz auxiliar do gabinete de Mendonça. Nessa oitiva, Vorcaro fez referências a viagens e despesas supostamente pagas em favor de Andrei Rodrigues, chefe da PF, sem apresentar provas.
Há duas estratégias que se completam.
Do lado de Vorcaro, a delação é a única saída. No instituto da delação premiada, só são aceitos acordos de quem aponta responsabilidades no andar de cima, isto é, de seus superiores. Como Vorcaro era o cabeça do esquema, quem seriam esses superiores? A saída encontrada foi implicar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o ministro Alexandre de Moraes.
A segunda estratégia insere-se na guerra híbrida em curso, promovida com a interferência do Departamento de Estado norte-americano. A jogada de Mendonça ao exigir um relatório da PF sobre Alexandre de Moraes, atropelando os procedimentos praxe para jogar lama no ventilador, visou implodir todo o sistema de Justiça — a última trincheira institucional contra o golpismo. Não é por outro motivo que o acordo foi selado entre Mendonça e um advogado estreitamente ligado ao bolsonarismo – para surpresa dos demais advogados, do escritório Leonardo, banca respeitada em Belo Horizonte.
Pouco importa o desfecho desse imbróglio.
O papel dos jornalões
A análise da cobertura da imprensa reforça a ideia da subordinação dos grupos de mídia à pressão do Departamento de Estado.
Há dois temas em pauta. De um lado, as denúncias que expõem os encontros de André Mendonça com Daniel Vorcaro na sede do ITER e as suspeitas sobre contratos firmados com empresas do ex-banqueiro. De outro, os escândalos — ainda sem provas — armados por Vorcaro contra altas autoridades.
Tome-se a home dos três principais jornais no final da tarde de ontem
O Globo

Uma pequena nota na coluna à direita. Internamente menciona a reportagem de Paulo Motoryn no ICL.
Estadão

Nenhuma nota sobre o encontro,de Vorcaro e Mendonça.
Folha

Nenhuma nota a respeito do encontro.
Desfecho
Pouco importa a procedência das acusações; o objetivo é manter a fogueira acesa até as eleições. A imprensa tratará de ocultar as suspeitas sobre Mendonça enquanto alimenta a fogueira contra Moraes, Gonet e Rodrigues.
Repito o que escrevi ontem: se essas manobras derem a vitória a Flávio Bolsonaro, agosto de 2026 será o mês que entrará na história da imprensa brasileira, como o marco definitivo da traição final à democracia brasileira.
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