A comunicação no mundo digital, por Izaías Almada
Sufocados que estamos pela avassaladora quantidade de notícias diariamente divulgadas nas redes sociais e não só, já é possível prever, com alguma segurança até, o que será do nosso mundinho daqui a alguns anos.
Para não exagerar nessa previsão, para muitos leitores fora de horas, tomemos os anos de 2031/2036, cinco a dez anos apenas à nossa frente. E esse tempo, do ponto de vista histórico, são cinco/dez aninhos que passam logo, não é verdade?
Pois bem: selecionemos algumas questões que já nos chamam a atenção a cada dia que passa…
Questão 01 – Onde entra o capitalismo neoliberal nisso?
O excelente artigo de Márcio Pochmann no site ‘A Terra é Redonda’, intitulado “O novo espírito do capitalismo na era digital”, escrito por dois sociólogos franceses e publicado em 1999, há 27 anos, portanto, traz na sua abertura o seguinte texto: O capitalismo possui uma característica histórica singular que está na sua capacidade de transformar crises e críticas em oportunidades de sua própria renovação. Essa é a tese central de Luc Boltanski e Ève Chiapello em O Novo Espírito do Capitalismo.
Ao analisar o período posterior às revoltas de Maio de 1968, os autores demonstraram como o capitalismo não apenas absorveu críticas dirigidas contra a hierarquia, a burocracia, a alienação do trabalho e a falta de autonomia individual inseridas no padrão de emprego fordista difundido no segundo após guerra mundial, convertendo-as em princípios de uma nova organização econômica neoliberal”.
Bingo! O capitalismo não vai entregar os pontos sem violência, penso eu, mas irá tomando para si um jeitinho disfarçado de usar as leis da dialética, a união dos contrários, ou seja, o que hoje é ruim amanhã poderá ser muito bom ou vice e versa… Ok, mas ruim para quem e bom para quem? Será de se esperar que o novo espírito do capitalismo irá terminar com a luta de classes? Ironias à parte vejamos o que está acontecendo:
Questão 02 – Sobreviveremos, então, a uma possível terceira guerra mundial? Os “ensaios” para tal catástrofe, no entanto, vão se sucedendo aqui e ali: Ucrânia, Faixa de Gaza, Venezuela, Irã, Cuba; e agora o Brasil sendo cercado por regimes de direita e extrema direita do Oiapoque ao Chuí: Argentina, Paraguai, Equador, Bolívia, Chile, Colômbia e Peru…
Será que o governo brasileiro está mesmo atento ao que se passa à sua volta? Dizem as escrituras que a história não se repete… Concordo. Ela não se repete com o mesmo roteiro e os mesmos atores, mas se repete no mais das vezes com a correção parcial dos roteiros e a substituição dos atores em épocas diferentes. Será? Vejamos a terceira questão:
Questão 03 – Será que a comunicação presencial, olhos nos olhos, congressos e encontros nacionais e internacionais com o aperto de mãos e abraços, os confrontos ideológicos ainda minimamente civilizados, os milenares conflitos ‘ciência x religião’, será que não irão tomar novos rumos que muitos de nós insistimos em ignorar?… Desconhecidos, dramáticos e perigosos rumos…
Ou vamos ficar sonhando, com um celular nas mãos como nossos filhos e netos, enquanto a luta internacional para a tão sonhada conquista hegemônica do poder econômico e político internacional avança?…
E aqui chegamos a uma curiosa questão que vai se tornando realidade aos poucos:
Questão 04 – O homem se tornará um novo deus criando “Adões” e “Evas” robotizados que não dependerão 100% dos quatro elementos da natureza (água, terra, ar e fogo) para sobreviverem? Robôs não sofrem do coração, não morrem por AVC, trabalham 24 horas por dia, se for preciso e não formam sindicatos.
Que tal pensarmos nessa possibilidade, pois a Ficção Científica, essa que conhecemos na literatura e no cinema em grande escala, deixará de ser ficção em algum momento no futuro.
Caro leitor, fique atento e preste atenção naquilo que poderá acontecer no Brasil até o próximo mês de outubro!
Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.
Leia também: