A atenção nas campanhas do PT e do PL para os mais de 900 mil eleitores fora do Brasil

Urnas eletrônicas preparadas para votação de brasileiros no exterior
Urnas eletrônicas preparadas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal para envio a locais de votação no exterior. Foto: Reprodução

O eleitorado brasileiro no exterior alcançou o recorde de 918,9 mil pessoas aptas a votar na eleição presidencial e passou a receber atenção reforçada de lulistas e bolsonaristas antes da votação do próximo domingo (4). O contingente reúne brasileiros residentes em 134 países e já supera o número de eleitores de Roraima, Amapá e Acre.

A Justiça Eleitoral agrupa esses votantes como uma 28ª unidade federativa, identificada pela sigla ZZ. Em 16 anos, o eleitorado fora do Brasil cresceu quase 360%; desde 2022, a alta chegou a 31,8%, enquanto o total de eleitores no país avançou 1,4%.

O aumento acompanha a expansão da comunidade brasileira no exterior. Dados do Itamaraty apontam que 5,3 milhões de brasileiros viviam fora do país no ano passado, ante 4,6 milhões quatro anos antes. A transferência remota do título, facilitada após a pandemia, e os serviços do e-Título também ajudaram na regularização eleitoral.

O voto, porém, exige deslocamentos para embaixadas, consulados e postos eleitorais. Na Itália, brasileiros só podem votar em Roma e Milão; na França, os locais ficam em Paris e Marselha.

“As coisas não param para você votar, como no Brasil, e pode ser necessário se deslocar, perder um dia de trabalho. São custos de tempo, energia e dinheiro”, disse a cientista política Teresa Schneider Marques, da PUC-RS e pesquisadora da Uerjem entrevista à Folha.

Fila de eleitores em Paris em 2022. Foto: reprodução

Partidos e grupos políticos mobilizam brasileiros fora do país

Apesar das barreiras, a abstenção no exterior caiu no segundo turno de 2022, quando atingiu 55,4%, quatro pontos percentuais abaixo dos 59,7% registrados em 2018. Como o número de inscritos aumentou, a votação contabilizou cerca de 100 mil votos válidos a mais em quatro anos.

O PT mantém uma secretaria de Relações Internacionais, comandada pelo senador Humberto Costa, ligada a 26 núcleos fora do Brasil. Gabriela Lima, responsável pelo núcleo de Bolonha, afirmou que o grupo busca apresentar as posições do partido aos brasileiros que vivem na Itália e recebe material digital de campanha, sem recursos financeiros de apoio.

No campo bolsonarista, redes de brasileiros no exterior atuam na produção de conteúdo e no incentivo à participação eleitoral. A Liga Conservadora Brasil-Alemanha, que apoia o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), reúne 105 mil seguidores no Instagram e divulga a plataforma do PL para cadastro de fiscais eleitorais fora do país, segundo sua criadora, Samia Sittel-Faraj.

Teresa Schneider Marques avalia que os partidos brasileiros ainda têm estrutura limitada para organizar campanhas entre expatriados porque o país não reserva cadeiras no Congresso para representantes eleitos no exterior. Na Itália, por exemplo, 12 vagas no Parlamento são preenchidas por votos de cidadãos que vivem fora do país.

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