
Holly Ratchford, ex-administradora de um complexo residencial em San Diego, nos Estados Unidos, contestou a versão de Omar al-Bayoumi sobre sua relação com dois sequestradores dos ataques de 11 de Setembro. Ela afirma que o saudita não apenas ajudou Nawaf al-Hazmi e Khalid al-Mihdhar a alugar um imóvel, como continuou a conviver com eles nas semanas seguintes.
Em entrevista pela primeira vez desde os atentados de 2001, Ratchford disse à BBC que ainda tenta conciliar o homem amigável que conheceu com as acusações que ele enfrenta. “É quase impossível para mim conciliar quem ele disse que era e quem ele realmente é”, afirmou.
Bayoumi levou Hazmi e Mihdhar ao escritório de Ratchford em 3 de fevereiro de 2000. Os dois não preenchiam os requisitos financeiros para alugar um apartamento no Parkwood Apartments, mas tinham dinheiro em espécie e abriram uma conta bancária no dia seguinte. O saudita assinou o contrato como colocatário, assumiu a fiança e figurou como contato de emergência deles.
Os futuros sequestradores se mudaram para um apartamento de um quarto, próximo à residência de Bayoumi. Hazmi e Mihdhar permaneceram no local até o fim de maio de 2000 e, mais tarde, sequestraram o voo 77 da American Airlines, lançado contra o Pentágono em 11 de setembro de 2001.

Depoimento contradiz relato apresentado por Bayoumi
Detido em Birmingham, no Reino Unido, dez dias após os atentados, Bayoumi declarou inicialmente que não conhecia os sequestradores. Depois, reconheceu que havia ajudado “Nawaf” e “Khalid”, mas sustentou que o contato foi breve e que passou a evitá-los após conseguir o imóvel.
Ratchford rejeitou essa narrativa. Ela relatou que Bayoumi perguntou diversas vezes sobre apartamentos para duas pessoas antes de levar a dupla ao escritório e insistiu em uma moradia perto de sua própria casa. A ex-administradora também disse ter recebido os três para chá e biscoitos após a assinatura do aluguel. “Eles definitivamente eram amigos”, declarou.
Ela informou ao FBI que Bayoumi quitou valores de aluguel atrasados pelos dois homens. Ex-chefe das investigações do FBI em San Diego após os ataques, Richard Lambert afirmou que os investigadores identificaram uma rede ligada a Bayoumi que ajudou Hazmi e Mihdhar a obter documentos, se matricular em escolas de voo, receber transferências e buscar atendimento dentário.
Bayoumi é réu em uma ação de US$ 1 trilhão movida por familiares de vítimas e sobreviventes contra a Arábia Saudita. O juiz federal George B. Daniels avaliou que as provas permitem uma “inferência razoável” de coordenação entre Bayoumi, um diplomata saudita e o governo do país para prestar assistência aos sequestradores. A Arábia Saudita e Bayoumi negam envolvimento ou conhecimento prévio dos atentados, e o Tribunal de Recursos dos Estados Unidos deve ouvir as sustentações orais do caso em outubro.