
Candidatos da direita aos governos estaduais passaram a usar críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a defender mudanças no Judiciário para disputar o eleitor bolsonarista nas eleições de 2026. A pauta ganhou força após os desdobramentos do caso Master e mira adversários que contam com o apoio do senador Flávio Bolsonaro.
Entre as propostas levantadas estão a reforma do Judiciário e o impeachment de ministros do Supremo. Os ataques cresceram depois de investigações sobre o caso Master apontarem novos indícios da relação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
No Paraná, Sandro Alex, ex-secretário de Infraestrutura e pré-candidato ao governo como sucessor de Ratinho Junior (PSD), publicou na segunda (7) um vídeo pelo 7 de Setembro. Ao lado de fotos com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmou que atuou na defesa dos interesses paranaenses, “inclusive na assinatura de todos os processos de investigação e de impeachment, seja contra o Supremo ou contra aqueles que atentem à nossa nação”.
A bandeira já vinha sendo explorada no estado pelo senador Sergio Moro (PL-PR), que lidera pesquisas para o governo e tem o apoio de Flávio Bolsonaro. Moro participou do ato bolsonarista na Avenida Paulista na segunda-feira, marcado por discursos contra Moraes, mas não discursou: ele gravou vídeos e respondeu aos acenos do público do alto do caminhão de som.
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Minas Gerais e Rio Grande do Sul entram na disputa sobre o Judiciário
Em Minas Gerais, o governador Mateus Simões (PSD), que busca a reeleição como sucessor de Romeu Zema (Novo), também atacou o STF. Após o desfile cívico-militar em Belo Horizonte, afirmou que “o país precisa se libertar de corruptos no Judiciário e no ambiente político”.
Simões disse que o Supremo “perdeu completamente a sua posição na sociedade” e defendeu um Judiciário voltado à Justiça, não à política. O governador enfrenta o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera levantamentos eleitorais e declara apoio a Flávio.
O palanque oficial do candidato do PL em Minas é ocupado pelo empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais. Em manifestação com apoiadores bolsonaristas na capital mineira, Roscoe pediu uma “atitude imediata” diante da crise envolvendo o Supremo e cobrou providências do Congresso e dos próprios ministros.
No Rio Grande do Sul, o vice-governador Gabriel Souza (MDB), pré-candidato à sucessão de Eduardo Leite (PSD), defendeu que o Senado conduza processos de impeachment contra ministros do STF em caso de “ilicitudes”. Gabriel disputa espaço com o deputado federal Luciano Zucco (PL-RS), apoiado por Flávio Bolsonaro e à frente nas pesquisas, em empate técnico com a ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT-RS).
Em entrevista ao Correio do Povo, Gabriel afirmou que autoridades não podem ficar acima da lei. “No caso do STF, quem fala sobre o impeachment de ministros é o Senado da República. Quero muito que o próximo Senado tenha a capacidade e coragem de resolver coisas assim”, disse.