
Proteção social e classe são as justificativas mais citadas para votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): aparecem nas respostas de 48% dos eleitores que declaram apoio ao petista no segundo turno. O percentual se refere aos apoiadores de Lula, segundo pesquisa Datafolha divulgada pela Folha de S.Paulo neste sábado (17).
Essa motivação ganha força em determinados segmentos do eleitorado do presidente. Entre os apoiadores de Lula com ensino fundamental, 52% mencionam proteção social e classe. Entre os evangélicos que declaram voto no petista, a proporção chega a 59%.
Desempenho e legado aparecem em seguida, citados por 22% dos eleitores de Lula. Os entrevistados puderam escolher mais de uma justificativa em uma lista apresentada pelo instituto. Por isso, as categorias podem reunir respostas das mesmas pessoas e não devem ser somadas como parcelas distintas do eleitorado.
Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), mudança e alternância de poder lideram, com 41%. A rejeição a Lula e ao PT vem depois, mencionada por 31% dos apoiadores do senador. Os dois grupos receberam a mesma lista de possíveis motivos para sua escolha.

A campanha de Lula tem enfatizado a proteção dos benefícios sociais e cobrado explicações de Flávio Bolsonaro sobre os cortes de gastos que pretende fazer, levantando a possibilidade de perdas para trabalhadores e aposentados. Também apresenta a aprovação do fim da escala 6×1 como uma conquista dos trabalhadores. A pesquisa registra as justificativas declaradas pelos eleitores, sem estabelecer quanto essa estratégia influenciou suas escolhas.
Entre os apoiadores mais jovens de Lula, valores, ideologia e democracia têm maior presença nas respostas. A categoria é mencionada por 20% dos eleitores do presidente com idade entre 16 e 24 anos, acima dos 11% registrados no conjunto de seus apoiadores.
Outros 9% dos eleitores de Lula e 12% dos de Flávio Bolsonaro dizem não ter um motivo específico para a escolha. São entrevistados que já manifestaram preferência por um dos candidatos, mas não apontaram uma justificativa específica para ela.
Contratado pela Folha, o levantamento ouviu 2.520 pessoas em 153 municípios nos dias 13 e 14 de outubro. O nível de confiança é de 95%, e a margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, refere-se à amostra total, sem aplicação automática aos subgrupos. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-00466/2026.