
O PL elegerá 121 deputados federais para a legislatura que começa em 2027, formando a maior bancada conquistada por um partido desde a Constituição de 1988. Apesar da força associada à onda bolsonarista, apenas dez dos eleitos não haviam ocupado antes algum cargo eletivo. Com informações do Uol.
Dos 121 nomes escolhidos em 4 de outubro, 111, ou 91,7%, já tiveram mandato. O grupo reúne 63 deputados que renovaram seus mandatos na Câmara, 14 ex-deputados federais e 34 políticos que estrearão na Casa após passagens por prefeituras, câmaras municipais ou assembleias legislativas.
Os eleitos do partido somaram 20,6 milhões de votos, média de 170,7 mil por deputado. Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), os dois mais votados da sigla, concentraram 29,8% desse total e ajudaram a ampliar a eleição de correligionários em Minas Gerais e São Paulo.
O PL conquistou 57 cadeiras no Sudeste, quase metade de sua bancada. No Nordeste, região em que Lula (PT) venceu em todos os estados no primeiro turno presidencial, o partido elegeu 19 deputados em seis estados e não obteve vagas em Alagoas, Piauí e Sergipe.
Maioria dos eleitos do PL passou por outras legendas

Entre os 116 deputados que já disputaram eleições antes de 2026, 93 passaram por outros partidos. Só 23 concorreram sempre pelo PL, presidido por Valdemar Costa Neto. O PSL, legenda que elegeu Jair Bolsonaro em 2018, reúne o maior número de ex-filiados entre os eleitos, com 24 nomes.
União Brasil, PSDB, MDB, PTB, PSD, DEM e PDT também aparecem no histórico partidário de integrantes da bancada. Há ainda políticos que tiveram filiação em siglas de esquerda, como o PT, PCdoB, PDT, PSB e PV, embora o partido faça do antipetismo uma de suas principais bandeiras.
Alfredo Nascimento (PL-AM), por exemplo, comandou o Ministério dos Transportes entre 2004 e 2011, nos governos Lula e no início da gestão Dilma Rousseff (PT). Thiago Martins Milhim, conhecido como Thiago Ganem (PL-MG), atuou como secretário nacional de Esporte Amador, Educação, Lazer e Inclusão Social no governo Lula em 2023.
A bancada também concentra políticos ligados às forças de segurança e a igrejas. General Pazuello (PL-RJ), General Girão (PL-RN), Coronel Chrisóstomo (PL-RO), Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP) e Sargento Fahur (PL-PR) estão entre os eleitos, enquanto Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), Marco Feliciano (PL-SP) e Lincoln Portela (PL-MG) representam segmentos evangélicos.
Parentes de figuras tradicionais da política também integram o grupo, como Dani Cunha (PL-RJ), filha do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, Wladimir Garotinho (PL-RJ), filho de Anthony Garotinho e Rosinha Matheus, e Jair Renan Bolsonaro (PL-SC), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Rosangela Moro (PL-PR), mulher do senador Sergio Moro (PL), também garantiu uma cadeira.
Os bens declarados ao Tribunal Superior Eleitoral pelos 121 eleitos chegam a R$ 329,4 milhões. Magda Mofatto (PL-GO) declarou R$ 62,9 milhões, o maior patrimônio do grupo, seguida por Fabinho Ramalho (PL-MG), com R$ 20 milhões, e João Bacelar (PL-BA), com R$ 13,5 milhões.