Diversas cidades brasileiras registraram panelaços durante a sabatina de Flávio Bolsonaro (PL) na TV Globo, na noite desta sexta-feira (16). O protesto em que as pessoas batem panelas ao mesmo tempo, convocado nas redes sociais em apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, ocorreu antes e durante a entrevista do candidato no encerramento do Jornal Nacional.
Relatos e vídeos publicados nas redes sociais mostraram moradores batendo panelas, gritando palavras de ordem e, em alguns locais, utilizando buzinas e fogos de artifício. Houve registros em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Fortaleza, Salvador, Recife, Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, Campinas, João Pessoa, Niterói e outras cidades.
O episódio ganhou forte repercussão nas redes. O termo “panelaço” chegou ao terceiro lugar entre os assuntos mais comentados do X, enquanto a hashtag “Hoje vou bater panela” esteve entre as mais utilizadas na plataforma.
O Distrito Federal liderou as buscas pelo termo, seguido por Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Sergipe.
Do Rio a São Paulo, protesto se espalha
No Rio de Janeiro, moradores registraram manifestações em bairros como Copacabana, Glória, Flamengo, Laranjeiras, Tijuca, Botafogo, Engenho Novo, Grajaú e na região portuária. Também houve registros em Icaraí, em Niterói.
Em São Paulo, vídeos mostraram panelaços em diferentes pontos da região central e de outros bairros. Em Belo Horizonte, manifestações foram registradas em locais como Sagrada Família, Carmo, Ouro Preto e Grajaú.
Em Brasília, houve registros na Asa Norte, no Guará e em Águas Claras. João Pessoa, Fortaleza, Salvador, Curitiba, Recife, Goiânia e Porto Alegre também tiveram manifestações relatadas nas redes.
Mobilização foi convocada nas redes
A mobilização foi convocada pelo deputado federal eleito André Janones (Rede-MG), que vem promovendo ações digitais e presenciais em apoio à campanha de Lula no segundo turno.
Nas redes sociais, Janones pediu que eleitores fossem às janelas e às ruas durante a entrevista do candidato do PL e convocou o que chamou de um panelaço nacional.
A manifestação ocorreu um dia depois da entrevista de Lula à mesma emissora. Na quinta-feira (15), o presidente e candidato à reeleição foi sabatinado por Renata Lo Prete.
Porteiro é levado à delegacia em Maceió
Em Maceió, um trabalhador identificado como Edmilson foi conduzido à Central de Flagrantes durante um panelaço no bairro de Ponta Verde.
Segundo o advogado Matheus Gonzaga, responsável pela defesa do porteiro, ele estava trabalhando quando decidiu se juntar ao protesto realizado por moradores. A Polícia Militar teria sido acionada após um princípio de confusão entre moradores de prédios próximos.
De acordo com o advogado, Edmilson foi conduzido inicialmente sob alegação de desacato a um policial. Na Central de Flagrantes, segundo a defesa, o caso chegou a ser considerado como possível “perturbação do sossego”. O trabalhador foi liberado depois de prestar esclarecimentos.
Gonzaga classificou a ocorrência como uma possível violação à liberdade de expressão e ao direito de manifestação e afirmou que pretende acompanhar os desdobramentos do caso.
Protesto dá dimensão nacional à rejeição
A amplitude dos panelaços transformou a entrevista de Flávio em um dos principais momentos de mobilização política da noite. De grandes capitais a bairros e cidades do interior, moradores utilizaram um tradicional instrumento de protesto para manifestar oposição ao candidato do PL.
O alcance da mobilização também se refletiu nas redes sociais, onde o panelaço permaneceu entre os assuntos mais comentados durante a transmissão.
A manifestação ocorreu em uma campanha de segundo turno marcada por intensa disputa política e mobilização digital, com Lula e Flávio buscando ampliar suas bases eleitorais e conquistar os votos que decidirão a Presidência da República.