
Daniel Vorcaro ofereceu R$ 1 milhão ao gestor de crise Guilherme Barros para tentar “comprar” o silêncio da Folha de S.Paulo sobre uma reportagem que temia prejudicar o Banco Master. Mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do banqueiro mostram a negociação para impedir a publicação e, posteriormente, a cobrança de uma recompensa pelo suposto abrandamento do texto. O pagamento foi destinado a Barros, segundo o Metrópoles.
Em 7 de agosto de 2024, Vorcaro condicionou expressamente a recompensa à retirada da matéria: “Gasta todos seus cartuchos aí, se voce conseguir segurar e nao sair nada vc tem um premio de R$1mm”. O banqueiro explicou seu temor: “Se eles soltam isso agora eles vao quebrar o banco”. Barros respondeu com uma estratégia em etapas: “Primeiro vamos adiar a materia” e “Depois vamos aos outros passos”.
No dia seguinte, às 13h27, o gestor anunciou: “A Folha vai segurar a matéria”. Acrescentou também: “O Sérgio me respondeu agora”, em referência a Sérgio Dávila, diretor de Redação do jornal. Antes desse retorno, Vorcaro havia cobrado respostas e perguntado se Barros tentara novamente falar com o jornalista.

A interlocução também abriu caminho para um encontro na sede da Folha. Em 9 de agosto, Barros disse que Dávila havia pedido uma data para um café. A reunião ocorreu no dia 12, com a participação do diretor e de dois editores, sem registro da visita na coluna Painel. O jornal confirma o encontro, mas afirma que a iniciativa e o pedido para não divulgar a visita partiram do gestor.
Antes da conversa, Barros organizou informações para apresentar o Master favoravelmente, incluindo metas de patrimônio, aquisições e economistas ligados ao banco. Segundo o Metrópoles, dados desse material apareceram no perfil publicado em 30 de agosto de 2024. O texto descrevia os CDBs da instituição como “os mais rentáveis do mercado”; trechos favoráveis foram retirados posteriormente da versão digital.

Embora não tenha conseguido impedir a publicação, Barros cobrou a recompensa. Reconheceu que a condição original era que a reportagem não saísse, mas alegou que ela havia ficado “muito mais branda”. Vorcaro respondeu: “amigo, vc merece muito, vamos ajustar”. O banqueiro então fez o pagamento por Pix ao gestor.