
A deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) respondeu nesta quinta-feira (15) ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), cuja campanha apresentou uma notícia-crime que levou à abertura de investigação contra ela. Durante ato em apoio à reeleição de Lula na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, a petista denunciou uma tentativa de silenciamento e convocou a juventude a reagir pelo voto. “A nossa resposta será nas urnas”, afirmou.
A manifestação integrou a “Caravana Pra Fazer Acontecer”, realizada no gramado da Reitoria da universidade. O encontro reuniu estudantes e lideranças políticas, incluindo Ana Elisa, Duda Salabert e Iza Lourença. A mobilização buscou ampliar a participação da comunidade acadêmica na campanha de Lula para o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
No discurso, Ana Elisa chamou o grupo familiar bolsonarista de “familícia” e afirmou que a juventude teria papel decisivo para derrotar a candidatura de Flávio. “Não vão nos censurar”, declarou. Ao mencionar Duda Salabert e os apoiadores presentes, sustentou que a mobilização continuaria mesmo diante de tentativas de restringir suas manifestações. “Eles têm medo, eles estão com medo e a nossa resposta será nas urnas”, disse.
A reação ocorre após o juiz Orlando Israel de Souza, da 103ª Zona Eleitoral de Divinópolis, determinar, na quarta-feira (14), a abertura de inquérito na Polícia Federal. A apuração teve origem em notícia-crime dos advogados de Flávio sobre publicações que atribuíam a bolsonaristas uma tentativa de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A defesa do candidato sustenta que ele nunca propôs, apoiou ou articulou essa mudança.
🚨 Ana Elisa RESPONDE Flávio Bolsonaro em novo discurso. pic.twitter.com/Ljjs6Favzf
— UpdateCharts (@updatecharts) October 15, 2026
O magistrado determinou a preservação dos registros das publicações feitas no X entre 24 de setembro e 8 de outubro, mas rejeitou uma restrição genérica a novas postagens sobre a eleição presidencial. O Ministério Público Eleitoral considerou o pedido insuficientemente delimitado, entendimento acompanhado pelo juiz. A abertura do inquérito determina a investigação dos fatos e não representa uma condenação da deputada eleita.
Na quarta-feira, Ana Elisa já havia afirmado que o procedimento tramitava em sigilo e que sua equipe ainda não tivera acesso aos autos. Ao Metrópoles, declarou que não era a primeira tentativa de Flávio de calá-la e que se manifestaria sobre o caso após conhecer o conteúdo da investigação.
Na UFMG, a petista também citou o “Exército do Lula” como instrumento de mobilização. Na terça-feira (13), ela havia classificado como censura a suspensão do canal determinada por Kassio Nunes Marques. A ferramenta retomou as atividades na quarta-feira e, nesta quinta, o TSE retirou a espera de 48 horas para canais registrados entre os dois turnos.
Ao encerrar sua intervenção, Ana Elisa defendeu as universidades públicas e associou a mobilização estudantil à continuidade das políticas de educação. Pediu que os participantes ampliassem a busca por votos, conversassem com pessoas idosas e ajudassem a garantir seu comparecimento às urnas em 25 de outubro, em apoio à reeleição de Lula.