O “Tsunami da Esperança”, a força da mobilização estudantil na reta final do segundo turno, foi o tema central da edição desta quinta-feira (15) do Entrelinhas Vermelhas. Apresentado por Inácio Carvalho, o programa recebeu Bianca Borges, presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), e Vinícius Soares, presidente da Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG).
A conversa abordou a aprovação do fim da escala 6×1, a reação da juventude após o primeiro turno e os riscos que as entidades identificam em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL).
Assista a íntegra das entrevistas:
Fim da 6×1 é vitória dos trabalhadores
A edição começou destacando a aprovação, pelo Congresso, da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1.
Bianca classificou a medida como uma conquista histórica da classe trabalhadora, destacando a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais e a manutenção dos salários. Ela também relacionou o resultado à mobilização popular e ao plebiscito que reuniu mais de 2,1 milhões de votos. “É algo fundamental que vai trazer mais dignidade para as trabalhadoras e os trabalhadores do nosso Brasil”, afirmou.
Para Vinícius, a aprovação representa uma vitória política dos trabalhadores e de sua organização, com participação do governo Lula, apesar da resistência da oposição. Vini reforçou que essa vitória política isola o bolsonarismo no Congresso e representa um salto de qualidade para as famílias brasileiras, revertendo anos de retrocessos desde a reforma trabalhista.
“Tsunami da Esperança” ganha as ruas
Os dirigentes estudantis relataram que UNE, UBES e ANPG iniciaram imediatamente após o primeiro turno a articulação de centros acadêmicos, diretórios estudantis e organizações de pós-graduandos.
Vinícius afirmou que a rapidez foi fundamental para mudar o clima entre os setores que apoiam Lula. Ele citou o crescimento do temor de uma vitória de Flávio e a melhora do desempenho do presidente nas pesquisas como sinais de que a mobilização começa a produzir efeitos.
Para Bianca, a reação da juventude faz parte de uma tradição histórica do movimento estudantil brasileiro, presente em momentos como a resistência à ditadura, as Diretas Já e o Fora Collor.
Disputa pelo voto de quem não foi às urnas
Na reta final, as entidades querem alcançar principalmente os eleitores que ficaram fora do primeiro turno. Vinícius destacou os cerca de 33 milhões de brasileiros que não compareceram às urnas e defendeu uma mobilização capaz de identificar as razões da ausência e estimular a participação em 25 de outubro.
A estratégia combina redes sociais com brigadas presenciais em universidades, bairros, periferias, centros urbanos e estações de transporte.
Bianca ressaltou que o contato direto é essencial para romper as bolhas dos algoritmos e conversar com quem ainda não definiu o voto.
A entrevista também expôs os ataques diretos sofridos pelas entidades. Bia revelou que Flávio Bolsonaro move processos judiciais contra ela e outras lideranças estudantis em uma clara tentativa de censura. “Nem a ditadura silenciou a União Nacional dos Estudantes. O movimento seguiu vivo e pulsante”, declarou, comparando a tática atual à repressão do regime militar.
Educação e democracia no centro da disputa
A entrevista também discutiu o que as entidades consideram riscos de um eventual governo Flávio Bolsonaro. Vinícius apontou a criminalização dos movimentos sociais e estudantis e o desmonte de políticas de educação, saúde, ciência e tecnologia.
“Eles querem fazer uma PEC da Destruição, cortando cerca de R$ 250 bilhões e desvinculando o piso constitucional para a educação e para a saúde”, explicou o presidente da ANPG, ressaltando o perigo inédito de um mesmo grupo político controlar os três Poderes da República, incluindo a possibilidade de Flávio indicar até quatro ministros ao STF.
Bianca afirmou que as tentativas de silenciar entidades como UNE, UBES e ANPG reforçam a preocupação do movimento estudantil com o futuro da democracia.
Mobilização entra na reta final
Para os dirigentes, os próximos dias serão de intensificação da campanha. As entidades programaram Dias Nacionais de Mobilização para 18 e 24 de outubro e mantêm a organização de brigadas por universidades e localidades.
Diante do alto índice de abstenção no primeiro turno (33 milhões de eleitores), as lideranças traçaram uma estratégia de “olho no olho”. Vini enfatizou a necessidade de comparar os programas de governo e os resultados práticos dos mandatos de Lula e de Jair Bolsonaro, mostrando à juventude que a mudança segura e coletiva passa pela reeleição do presidente.
Para organizar essa força-tarefa, foram lançadas as plataformas estudantescomlula.com.br e brigadaspopulares.com.br, onde qualquer cidadão pode montar sua própria brigada. Bia reforçou a importância de romper as bolhas das redes sociais com o diálogo cara a cara nas periferias, centros e estações de transporte.
Vinícius convidou estudantes, professores e cientistas a participar dos comitês e brigadas populares, com atenção especial aos eleitores que não votaram no primeiro turno.
UNE na Sapucaí em 2027
Em um momento de descontração e projeção de futuro, Bia anunciou uma grande novidade cultural: em 2027, a UNE completará 90 anos e será homenageada no Carnaval do Rio de Janeiro. A escola de samba Império Serrano, o “Reizinho de Madureira”, contará a história de nove décadas de luta dos estudantes na Avenida, vestindo as cores verde e branco.
A mensagem que atravessou a entrevista foi de intensificação da disputa nos últimos dias antes da votação: levar a campanha para as ruas, ampliar o diálogo com quem ainda não decidiu e garantir que o maior número possível de eleitores compareça às urnas no dia 25.”Dia 25 é o dia da nossa vitória. E depois a gente segue lutando por tudo aquilo que acreditamos que o Brasil ainda pode ser”.