Quaest mostra empate técnico e acende ânimo na campanha de Lula

A primeira pesquisa Quaest do segundo turno muda o tom da disputa presidencial. Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula, por 46% a 44%, mas os dois estão tecnicamente empatados, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais. Mais do que uma vantagem estreita, o resultado revela uma eleição completamente aberta e dá novo ânimo à campanha de Lula.

Flávio chegou ao segundo turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A vantagem de cerca de 2,2 milhões de votos, portanto, não se transformou em uma distância confortável. Ao contrário: na primeira fotografia do segundo turno, a diferença é de apenas dois pontos e pode desaparecer dentro da margem de erro.

Para a militância de Lula, é um sinal importante de que a corrida pode mudar de mãos à medida que os dois projetos ficam mais claramente expostos ao eleitor.

Flávio carrega uma rejeição maior que a de Lula

O principal obstáculo para a consolidação da candidatura de Flávio aparece no índice de rejeição. Segundo a Quaest, 54% dos entrevistados dizem que não votariam nele de jeito nenhum. Lula registra 53%.

A diferença é pequena, mas politicamente significativa em uma eleição tão apertada. Flávio precisa ampliar sua votação justamente quando mais da metade do eleitorado declara resistência à sua candidatura.

O dado ajuda a explicar por que a vantagem conquistada no primeiro turno não se ampliou. O candidato do PL tem um teto eleitoral que sua campanha precisará superar para transformar os 46% atuais em maioria efetiva.

Lula reduz a distância justamente na largada

Na pesquisa espontânea, a distância é ainda menor: Flávio tem 43% e Lula, 42%. Ou seja, quando os nomes dos candidatos não são apresentados previamente, praticamente não existe vantagem entre os dois.

O cenário reforça a percepção de uma disputa em movimento. A fotografia do primeiro turno mostrava uma pequena dianteira de Flávio; a primeira medição do segundo turno apresenta empate técnico e uma diferença de apenas um ponto na intenção espontânea.

É justamente nesse espaço que a campanha de Lula busca avançar: transformar a proximidade atual em ultrapassagem nas próximas rodadas.

Medo da volta dos Bolsonaro cresce

Outro indicador reforça a possibilidade de mudança no cenário. A parcela dos entrevistados que afirma ter mais medo de uma vitória de Flávio Bolsonaro passou de 40% no primeiro turno para 43%.

Lula permanece com 43% na mesma pergunta. Pela primeira vez, portanto, os dois aparecem empatados nesse indicador.

A evolução é politicamente relevante porque o medo de uma eventual volta do grupo Bolsonaro pode funcionar como fator de mobilização de eleitores que ainda não definiram seu voto ou que consideram não comparecer às urnas.

Votos de terceiros são terreno decisivo

A transferência dos votos do primeiro turno também mostra que há espaço para Lula avançar.

Entre os eleitores de Augusto Cury, Lula já aparece numericamente à frente: 34% contra 30% de Flávio. Entre os eleitores que faltaram à votação ou escolheram branco ou nulo, o petista também lidera, por 43% a 38%.

Flávio, por sua vez, mantém vantagem entre eleitores de Caiado, por 42% a 23%, e de Renan Santos, por 40% a 14%. São grupos importantes, mas que também apresentam percentuais elevados de votos brancos, nulos, abstenção ou indecisão.

A disputa, portanto, não está encerrada nos votos já conquistados. O segundo turno será decidido também pela capacidade de cada candidatura conquistar eleitores que ainda não estão integralmente alinhados.

Governo Lula melhora avaliação na reta decisiva

A pesquisa traz ainda sinais positivos para Lula na avaliação de seu governo. A aprovação subiu de 44% para 45%, enquanto a desaprovação recuou de 49% para 48%.

Na avaliação geral, a percepção positiva avançou de 33% para 34%, enquanto a negativa caiu de 42% para 40%. A avaliação regular passou de 23% para 24%.

Ainda não há maioria de aprovação ao governo, mas os movimentos são favoráveis a Lula e ocorrem justamente quando a eleição entra em sua fase mais decisiva.

Empate muda o clima da campanha

A Quaest não mostra Lula na frente — mas mostra algo que, para o campo progressista, é igualmente importante: Flávio não conseguiu transformar a vantagem do primeiro turno em uma liderança consolidada.

O candidato do PL aparece com 46%, Lula tem 44% e a disputa está dentro da margem de erro. Na espontânea, são 43% a 42%. Na rejeição, Flávio está numericamente acima de Lula. E o temor de sua vitória cresceu de 40% para 43%.

É cedo para falar em virada consumada. Mas já é possível falar em eleição aberta e em movimento.

Para Lula, o recado da pesquisa é direto: a diferença pode ser buscada voto a voto. Para Flávio, o sinal é igualmente claro: sua dianteira do primeiro turno não garante a vitória — e a elevada rejeição pode ser o principal obstáculo para ampliar sua votação.

A militância lulista entra, portanto, em uma nova etapa com uma tarefa concreta: transformar o empate técnico em vantagem, mobilizando as ruas, disputando os votos ainda disponíveis e deixando cada vez mais nítida a diferença entre os dois projetos em disputa.

A pesquisa ouviu 2.154 pessoas com 16 anos ou mais entre 10 e 13 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pela TV Globo e pelo jornal O Globo e está registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-08729/2026.

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