José Antonio Kast assumiu a Presidência do Chile em março, prometendo combater a criminalidade, a imigração irregular e enxugar o tamanho do Estado. Sete meses depois, 64% desaprovam seu governo, segundo pesquisa do instituto Agenda Criteria realizada entre 8 e 9 de outubro com 802 pessoas.
Aliado da família Bolsonaro, Kast integra a direita ultraconservadora que avançou na América Latina com promessas de austeridade e redução do Estado.
O levantamento também mostra que 82% consideram que a gestão está abaixo do que esperavam.
A economia passou a ser o principal vetor do descontentamento chileno. Em setembro, pesquisa da Cadem mostrou que 79% da população queria que o governo priorizasse emprego e economia.
O desemprego, no entanto, chegou a 9,6% no trimestre de junho a agosto, o maior índice em cinco anos. E quanto à economia, o Banco Central do país reduziu a previsão de crescimento do país em 2026 para uma faixa entre 0,25% e 0,75%.
A alta da gasolina, repassada aos consumidores para preservar as contas públicas, foi apontada por 38% como um dos principais erros da administração.
A insatisfação aparece também na discussão do Orçamento de 2027. Só 19% dos entrevistados pela Agenda Criteria aceitam cortes em programas sociais para equilibrar as contas públicas; quando a pergunta trata da redução de bônus e subsídios para famílias, o apoio cai a 8%.
Embora 52% defendam reduzir o número de funcionários públicos, a maioria não apoia que o ajuste retire benefícios sociais. O projeto orçamentário de Kast prevê crescimento de 1,5% nos gastos públicos e inclui cortes em programas sociais e em áreas de desenvolvimento sustentável e proteção ambiental.