O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (14) que uma exploração “em larga escala” de petróleo, gás natural e minerais “está prestes a começar” na Groenlândia. Em publicações na rede social Truth Social, o republicano chamou o território ártico de “nossa nova e bela Groenlândia” e afirmou que a região reúne uma das maiores reservas continentais de petróleo de fácil acesso do mundo, além de posição estratégica decisiva para a defesa americana e europeia.
“Uma exploração maciça de petróleo, gás e minerais está prestes a começar em nossa nova e bela Groenlândia”, escreveu o presidente. “A região nos proporciona tempo, localização e campo de visão como nenhum outro lugar do mundo”, completou Trump.
O governo da Groenlândia reagiu e contestou o anúncio. O vice-ministro de Mineração do território, Jørgen Hammeken-Holm, afirmou que a realidade local está distante de uma corrida extrativista de grandes proporções. Segundo a autoridade, há atuação pontual de empresas americanas e projetos menores em andamento, mas iniciativas de grande porte levam anos para se tornarem operacionais e enfrentam severos desafios de viabilidade econômica e logística.
Obstáculos técnicos e oposição local travam planos no Ártico
A extração de recursos naturais na ilha lida com custos elevados e complexidade geográfica. Com cerca de 80% do território coberto por uma espessa camada de gelo, a maioria das jazidas situa-se acima do sÁrtico, em áreas isoladas e desprovidas de infraestrutura básica.
Além das barreiras climáticas, os projetos enfrentam forte oposição política e ambiental. A legislação local estabelece restrições rígidas à exploração de hidrocarbonetos, enquanto comunidades indígenas e populações regionais impõem resistência a empreendimentos minerários pelo impacto socioambiental nas cadeias de subsistência locais.
Pacto militar amplia presença dos EUA sem prever petróleo
As declarações de Trump ocorrem semanas após a assinatura de um acordo de segurança entre Estados Unidos, Dinamarca e Groenlândia, selado às margens da Assembleia Geral da ONU. O pacto atualiza o tratado de defesa de 1951 e autoriza a ampliação da presença militar americana na região, incluindo a construção de duas novas bases e o veto à instalação de forças de países que não integrem a Otan.
A despeito da retórica da Casa Branca sobre recursos energéticos, o texto do acordo não detalha projetos de petróleo ou gás natural. O documento foca em cooperação militar, intercâmbios científicos e desenvolvimento econômico genérico, preservando a soberania dinamarquesa e o direito de autodeterminação dos groenlandeses. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, defendeu o entendimento como uma garantia contra tentativas de anexação territorial.
Tensão energética e valor estratégico do Ártico
O interesse renovado de Washington no Ártico coincide com pressões sobre o abastecimento interno de energia nos EUA. Falhas operacionais decorrentes de eventos climáticos no Golfo do México e incertezas no cenário internacional reduziram estoques estratégicos de combustível americanos aos níveis mais baixos em quatro décadas, levando refinarias do país a operar no limite de capacidade.
No plano geopolítico, a Groenlândia permanece no centro do monitoramento militar do hemisfério norte por constituir a rota mais curta para mísseis entre a Rússia e a América do Norte. Para Washington, o controle do espaço aéreo e marítimo da ilha é considerado essencial para conter a expansão sino-russa no Polo Norte e viabilizar novos sistemas de defesa antiaérea.