IA da Meta bloqueia propaganda de Lula no Brasil e libera no exterior

IA da Meta faz imagens pró-Lula no exterior e veta no Brasil. Foto: Reprodução

A Meta AI bloqueou pedidos para criar cartazes eleitorais do presidente Lula (PT) em testes feitos com um número brasileiro no WhatsApp, mas atendeu às mesmas solicitações em contas vinculadas a números do exterior, segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo. Usuários dos Estados Unidos, Argentina e Alemanha conseguiram gerar peças com o nome, o número eleitoral e imagens do petista.

Os testes ocorreram após a identificação de que a ferramenta recusava criar material para Lula e aceitava solicitações semelhantes envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A diferença incluiu contas que estavam fora do Brasil, mas mantinham um número brasileiro: nesses casos, a IA também negou os pedidos relacionados ao presidente.

A Meta afirmou que proíbe temporariamente a recomendação de candidatos e a geração de imagens deles para cumprir as regras eleitorais brasileiras. A empresa alegou que a ferramenta produziu materiais com o candidato do PL porque não reconhecia comandos feitos apenas com o nome “Flávio” e disse ter adotado medidas adicionais para impedir essa falha.

Questionada sobre a diferença entre os resultados, a própria Meta AI disse que não deveria tratar contas de WhatsApp de forma distinta. “Eu trato os dois lados com a mesma regra: se você pede um cartaz político, eu crio”, respondeu a ferramenta.

Campanha de Lula leva registros ao TSE

Depois de ser avisada de que não havia gerado os cartazes de Lula no número brasileiro, a Meta AI apresentou outra justificativa. A ferramenta disse que um bloqueio temporário em outro modelo ou em uma versão anterior do sistema poderia explicar o resultado.

Em outra conversa registrada em uma conta brasileira, a IA reconheceu a diferença de tratamento e afirmou que o episódio poderia “transmitir uma impressão de viés político”. A ferramenta pediu autorização para encaminhar um relato à equipe responsável pelo sistema, para análise da inconsistência.

O caso se soma a questionamentos da campanha de Lula sobre a atuação da Meta na disputa eleitoral. Na sexta (10), o grupo petista informou que acionará o Tribunal Superior Eleitoral e a ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) por interferência da empresa em favor de Flávio Bolsonaro.

Na ação apresentada à Justiça Eleitoral, a campanha afirmou que o algoritmo da empresa “pratica seletividade algorítmica e permite que Flávio Bolsonaro e seus apoiadores produzam, em massa, conteúdos eleitorais ilícitos e de fácil replicação”.

O TSE determinou que a Meta apresente esclarecimentos técnicos e preserve registros de moderação, dados de anúncios e métricas das publicações investigadas.

Nas redes, usuários têm testado a ferramenta e mostrado que ela se recusa a criar imagens pró-Lula no Brasil, enquanto produz as montagens em países como Inglaterra, Irlanda e Portugal. Veja:

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