Deputados bolsonaristas inventam “Satanás” em ato de Lula e são obrigados a apagar posts

O presidente Lula em ato na Avenida Paulista. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Os deputados federais bolsonaristas Zé Trovão (PL-SC) e Paulo Bilynskyj (PL-SP) apagaram das redes sociais um vídeo que atribuía falsamente uma “invocação de Satanás” ao ato de campanha do presidente Lula (PT) na Avenida Paulista. A retirada ocorreu após uma ordem judicial.

A Coligação “Brasil Pronto pra Mais”, que reúne a campanha de Lula à reeleição, levou o caso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A representação aponta que os parlamentares divulgaram uma montagem para associar falas de uma celebração de matriz africana ao palanque do petista.

O conteúdo circulou em 12 de outubro, Dia de Nossa Senhora Aparecida. A campanha afirmou que a publicação buscou “inflamar o eleitorado religioso, deslegitimar a manifestação massiva do candidato e causar prejuízos irreparáveis à sua imagem na reta final do segundo turno”.

O advogado da coligação, Michel Bertoni Soares, disse que a divulgação usou a fé e o preconceito religioso para atingir eleitores. “Não se trata apenas de uma mentira eleitoral, mas de uma manipulação grotesca que utiliza a fé e o preconceito religioso para enganar o eleitorado”, afirmou.

Zé Trovão e Paulo Bilinskyj. Foto: Reprodução

Vídeo usou imagens de marcha religiosa de matriz africana

Agência Lupa e Coletivo Bereia verificaram que as imagens usadas pelos deputados não tinham relação com atos partidários ou eleitorais. O vídeo original registrou a 4ª Marcha para Exú, evento religioso e cultural de matriz africana realizado na Avenida Paulista em 16 de agosto de 2026.

A montagem utilizou áudios e falas de exaltação ao culto afro-brasileiro para simular um cântico de invocação satânica e vinculá-lo ao ato de Lula. Para a defesa da coligação, o uso das imagens também alimenta intolerância religiosa.

Zé Trovão afirmou que apagou a publicação depois da decisão judicial e alegou ter recebido o material como se fosse atual. Embora tenha reconhecido que o vídeo não era do ato de Lula, o deputado insistiu em ataques ao presidente.

Bilynskyj também retirou o conteúdo e publicou um pedido de desculpas nas redes sociais. “Recebi o vídeo da ‘marcha para exu’ como se fosse da manifestação de ontem na Paulista. Peço desculpas, não se trata do mesmo evento”, escreveu. A coligação pediu ao TSE a remoção de reproduções do vídeo, aviso aos usuários sobre a falsidade e aplicação de multa aos envolvidos.

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