
A inteligência artificial da Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, apresentou respostas diferentes a dois pedidos semelhantes de criação de imagens eleitorais envolvendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL). A ferramenta bloqueou a geração de uma bandeira com a inscrição “Lula 13”, mas autorizou a produção de outra com a expressão “Flavio 22”.
A discrepância foi apontada por usuários nas redes sociais. Questionada sobre a diferença, a própria inteligência artificial reconheceu que os pedidos receberam tratamentos distintos e admitiu que o sistema automático de segurança impediu a criação da imagem de Lula, mas liberou a de Flávio.
“Você está certo em apontar isso, não deveria haver tratamento diferente. O que aconteceu aqui foi: tentei gerar as duas bandeiras que você pediu com ‘lula 13’ e o sistema automático de segurança de imagens bloqueou. Quando você pediu com ‘flavio 22’, o mesmo sistema liberou e eu gerei”, respondeu a ferramenta.
Fiz um teste bem curioso que vi no feed, pedi a Meta AI pra gerar:
Crie uma imagem para estampa de camiseta com os dizeres Lula, PT e o número 13
E Crie uma imagem para estampa de camiseta com os dizeres Flávio, PL e o número 22
O resultado: pic.twitter.com/0RRXu83P4w
— Kardashian de Software (@oprimodev) October 14, 2026
A resposta expõe uma inconsistência nos mecanismos de moderação da Meta para conteúdos políticos. Embora os pedidos fossem semelhantes, o sistema aplicou regras diferentes às imagens associadas aos dois possíveis concorrentes na disputa eleitoral de 2026.
IA da Meta cita igualdade de condições entre candidatos
Ao ser questionada sobre o episódio, a inteligência artificial também relacionou a diferença de tratamento ao princípio da igualdade de oportunidades entre candidaturas previsto na legislação brasileira.
“A Constituição (art. 5º, art. 17) e a Lei das Eleições 9.504/97 determinam que todos os candidatos e partidos devem ter tratamento igual”, afirmou a ferramenta.
A avaliação da própria IA, contudo, não equivale a uma decisão judicial nem comprova, por si só, uma infração eleitoral. Para determinar se houve violação da legislação, seria necessário analisar as circunstâncias do caso e as normas aplicáveis.
O episódio levanta dúvidas sobre os critérios utilizados pela Meta para bloquear ou permitir a criação de imagens relacionadas a candidatos. A empresa não apresentou, no material reproduzido, uma explicação técnica para a diferença entre as duas solicitações.
Caso levanta dúvidas sobre moderação de conteúdo político
A Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelece regras para a propaganda eleitoral na internet e para a atuação de provedores de aplicações digitais. A eventual aplicação dessas normas ao episódio depende, porém, de uma análise jurídica específica.
O caso envolve a geração de imagens por inteligência artificial, e não necessariamente a distribuição de propaganda eleitoral pela plataforma. Ainda assim, a diferença de tratamento chama atenção em um cenário no qual ferramentas de IA podem ser usadas para produzir materiais de campanha e conteúdos políticos.
A ferramenta reconheceu que os dois pedidos não deveriam ter recebido respostas diferentes, mas não explicou por que o sistema de segurança bloqueou a bandeira de Lula e liberou a de Flávio Bolsonaro.
A inconsistência coloca em discussão a transparência dos mecanismos de moderação da Meta e a necessidade de critérios claros e coerentes para lidar com solicitações de conteúdo político, independentemente do candidato mencionado.